Roosevelt Cassio/Reuters
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Embraer demite cem funcionários, diz sindicato

Parte dos funcionários não se dispôs a se mudar para Gavião Peixoto (a 315 quilômetros de São Paulo), cidade em que a fabricante brasileira de aviões manterá uma de suas fábricas

Luciana Dyniewicz, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2019 | 17h55

Cerca de cem funcionários da Embraer foram demitidos na quarta-feira, 18, segundo informações do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (SP). Parte deles não se dispôs a se mudar para Gavião Peixoto (a 315 quilômetros de São Paulo), cidade em que a fabricante brasileira de aviões manterá uma de suas fábricas. A maior unidade da empresa, em São José dos Campos, será transferida para a Boeing assim que for concluída a venda de 80% da divisão de aviões comerciais da Embraer para a americana.

De acordo com o sindicato, apenas em dezembro, houve 300 desligamentos. Funcionários da empresa ouvidos pelo Estado afirmam que nem todos que foram desligados tiveram oferta para se mudar para Gavião Peixoto, onde hoje está instalada a unidade de defesa da Embraer. A área de aviação executiva, que está dividida entre plantas nos Estados Unidos e em São José dos Campos, terá suas atividades brasileiras concentradas em Gavião Peixoto.

A maioria das demissões de quarta-feira foi justamente de empregados do braço executivo da Embraer. Um engenheiro disse ao Estado que há preocupação com novas demissões, pois parte dos profissionais têm tido pouco trabalho nos últimos meses. A Embraer está finalizando dois grandes projetos  -- o do cargueiro militar C-390 Millennium (antigo KC-390) e o da família de aviões comerciais E2 --, que demandaram o trabalho de milhares de engenheiros. Hoje, segundo a companhia, são cerca de 5.000 engenheiros.

"A empresa nunca havia feito demissões como essa na véspera do recesso de fim de ano", disse um funcionário. Na manhã desta quinta-feira, 19, o Sindicato dos Metalúrgicos organizou um protestos diante da fábrica de São José dos Campos, atrasando o início da produção em 40 minutos. 

Em nota, a Embraer informou que os funcionários tinham sido avisados da transferência para Gavião Peixoto e que a maioria concordou com a mudança. A companhia afirmou ainda que foram contratadas 2.000 pessoas neste ano para formar a nova empresa que surgirá da parceria com a Boeing. A empresa, no entanto, não informou quantas demissões houve na quarta-feira, apenas negou os 300 desligamentos de dezembro. 

"Os funcionários da linha de montagem da Aviação Executiva foram avisados desde agosto da transferência para Gavião Peixoto e a maioria deles concordou com a mudança ou com a transferência para outras áreas em São José dos Campos - Unidade Eugênio de Melo. Quem não for transferido, irá receber benefícios adicionais para apoiar a transição", afirmou a empresa.

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