Embraer e Boeing fazem parceria em projeto de avião cargueiro militar

A Embraer anunciou uma parceria com a americana Boeing para desenvolver seu principal projeto na área militar no momento, o avião cargueiro KC-390. Segundo a Embraer, a parceria deve se dar na área de transferência de conhecimento técnico e também na comercialização dos aviões. Com isso, a empresa brasileira acredita que crescem as perspectivas de mercado para seu avião, que tem previsão de chegar ao mercado em 2015.

SILVANA MAUTONE, O Estado de S.Paulo

27 de junho de 2012 | 03h08

Segundo a estimativa inicial da Embraer, há mercado nos próximos 20 anos para cerca de 2 mil aeronaves do porte do KC-390, sendo que, desse total, descontando países que fabricam produtos concorrentes ou que adquiriram recentemente esse tipo de avião, a Embraer teria acesso a cerca de 700 unidades. Desse número, a expectativa da Embraer era conquistar entre 15% e 20%. "A parceria com a Boeing nos permitirá aumentar muito esse número, mas ainda não sabemos quanto", disse o presidente da Embraer Defesa e Segurança, Luiz Carlos Aguiar.

A Boeing já comercializa o avião de transporte militar C-17, de grande porte (o KC-390, da Embraer, se enquadra na categoria de médio porte). Pelas especificações iniciais, terá capacidade de carga de 19 toneladas, podendo ser convertido em avião tanque e reabastecido no ar.

O projeto é da Força Aérea Brasileira (FAB) e a Embraer foi contratada para desenvolvê-lo. A FAB tem a intenção de comprar pelo menos 28 unidades do cargueiro, para substituir a frota de aeronaves. A Embraer disse também que já tem 60 cartas de intenção de compra para o KC-390, cujo preço deve ser definido só em 2013.

O presidente da Boeing Defense, Space & Security, Dennis Muilenburg, disse que o acordo não prevê remuneração por parte da Embraer para a empresa americana. "É um acordo de parceria, onde os dois lados ganham", afirmou. Aguiar, porém, em conversa com jornalistas, disse que o contrato ainda não está detalhado a ponto de definir essas questões.

Caças. Aguiar e Muilenburg negaram que a parceria anunciada ontem também esteja relacionada com a disputa da qual a Boeing participa para a venda de caças à Força Aérea Brasileira, dentro do Programa FX-2. O fato de se tornar parceira da Embraer, no entanto, pode acabar contando alguns pontos para a Boeing nessa disputa.

O governo brasileiro deve voltar a discutir nos próximos meses a compra dos caças. O processo está suspenso desde o início do governo da presidente Dilma Rousseff. Os concorrentes são o avião Rafale, da francesa Dassault, o Gripen, da sueca Saab, e F-18 Super Hornet, da Boeing. Em 2010, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita do presidente francês Nicolas Sarkozy, anunciou a opção pelo Rafale - o que acabou ainda não se confirmando.

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