Embraer espera que fábrica na China tenha solução até março

Companhia negocia detalhes finais com o governo chinês de acordo para produção do Legacy 600 no país 

Silvana Mautone e Fernanda Guimarães, da Agência Estado,

13 de dezembro de 2011 | 13h20

SÃO PAULO - A Embraer espera que até março a questão de sua fábrica na China esteja resolvida. "Estamos em fase final de negociação com o governo chinês. Acredito que teremos uma resolução positiva ate o final do primeiro trimestre", afirmou Frederico Curado, presidente da Embraer.

No último mês de abril, durante visita da presidente Dilma Rousseff à China, a Embraer fechou acordo para produzir no país o jato executivo Legacy 600, o que evitaria o fechamento da fábrica que a companhia possui desde 2002 na cidade de Harbin, em parceria com a estatal Aviation Industry Corporation of China (Avic).

Anteriormente, a Embraer produzia no local o modelo 145, para o segmento de aviação comercial, mas a China, que está incentivando o desenvolvimento da sua indústria de aviação, não quis que a empresa continuasse produzindo no país aeronaves comerciais.

Investigação

Curado não confirmou se um contrato na Argentina fez com que a Securities and Exchange Comission (SEC, a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos) abrisse uma investigação sobre a empresa brasileira. "Como a investigação corre em sigilo, não posso confirmar nem desmentir essa informação", disse o executivo.

No balanço do terceiro trimestre deste ano, a Embraer comunicou que está sendo investigada pela SEC por possível descumprimento do US Foreign Corrupt Practices Act (em tradução livre, Lei Contra Práticas de Corrupção no Exterior). Essa lei proíbe empresas listadas no mercado americano de subornar oficiais de governos estrangeiros ou fazer qualquer outro tipo de pagamento ilegal em troca de benefícios nos negócios.

De acordo com o comunicado da Embraer, a investigação em andamento diz respeito a "transações realizadas em três países específicos".

Na semana passada, a imprensa divulgou que um processo que apura irregularidades no contrato de US$ 698 milhões entre a Embraer e a Aerolíneas Argentinas, instaurado em março de 2009, foi o que motivou a SEC a investigar a companhia brasileira.

A Embraer estaria sendo investigada pelo suposto pagamento de suborno a funcionários públicos argentinos que participaram de uma negociação para a compra de 20 aviões comerciais pela Aerolíneas Argentinas, que teriam sido superfaturados.

Concorrência

Se condenada, a Embraer pode ser impedida de vender aviões para o governo americano, já que uma das penalidades é a proibição de fazer negócios com o governo dos Estados Unidos, onde disputa uma concorrência. "Estamos de dedos cruzados, mas não tivemos nenhuma indicação de quando sairá o resultado", afirmou Curado sobre a disputa por um contrato de cerca de US$ 1,5 bilhão com os EUA.

A empresa participa com seu A-29 Super Tucano de uma concorrência para fornecer aviões leves para o Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Inicialmente, seriam 20 unidades, mas o número pode crescer para cerca de 100 aviões.

A versão básica do Super Tucano custa entre US$ 10 milhões e US$ 15 milhões. Se vencer essa concorrência, a venda para o governo americano seria a maior de aviões Super Tucano já realizada pela Embraer desde o seu lançamento.

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