Embraer faz acordo para reativar fábrica na China

Fabricante brasileira fechou uma parceria com a chinesa Avic para a produção de jatos executivos na fábrica de Harbin, que estava parada

RAQUEL LANDIM, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2012 | 03h06

A Embraer finalmente conseguiu a autorização do governo chinês para fabricar jatos executivos no país, o que vai viabilizar sua fábrica em Harbin, no norte da China. A companhia brasileira fechou um acordo com a Aviation Corporation of China (Avic) para a produção dos jatos executivos Legacy 600/650.

O compromisso foi assinado ontem na presença da presidente Dilma Rousseff e do primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, que está no Brasil para a Conferência Rio+20. No ano passado, quando Dilma esteve na China, os dois lados firmaram um protocolo de intenções, mas faltavam as aprovações finais das autoridades de Pequim.

Com o aval do governo chinês, a fábrica da Embraer em Harbin, que está parada há mais de um ano, deve voltar a funcionar em breve. Os jatos Legacy serão fabricados utilizando a estrutura, os recursos financeiros e a mão de obra da Harbin Embraer Aircraft Industry Co. (Heai), joint venture entre a empresa brasileira e a estatal chinesa Avic.

"O anúncio de hoje (ontem) representa mais um marco no compromisso de longo prazo da Embraer com a China", disse, por meio de nota, o diretor-presidente da Embraer, Frederico Curado. "A concretização da cooperação China-Brasil é produto dos esforços conjuntos de líderes governamentais e da indústria do setor", afirmou, por sua vez, o presidente da Avic, Tan Ruisong.

O primeiro jato executivo fabricado em Harbin deve ficar pronto no final de 2013. O avião será entregue à ICBC Financial Leasing, que fechou ontem a aquisição de 10 modelos Legacy 650. A ICBC é uma subsidiária integral do Banco Industrial e Comercial da China.

Protecionismo. A unidade de Harbin foi instalada pela Embraer e pela Avic em 2002, para fabricar o avião comercial ERJ 145. A Embraer pretendia produzir o ERJ 145 na China e exportar para lá o EMB 190, que é feito no Brasil. Mas a crise global atrapalhou os planos, reduzindo a demanda chinesa por aviões e tornando os chineses mais protecionistas.

O governo chinês passou a pressionar as companhias aéreas locais a dar preferência aos aviões fabricados na China, e negou as licenças de importação necessárias para que os jatos feitos pela Embraer no Brasil fossem entregues. Além disso, as estatais chinesas desenvolveram um avião que vai concorrer diretamente com o EMB 190.

O assunto quase se tornou um incidente diplomático. Em 2009, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve na China, mas não resolveu o impasse. A Embraer chegou a pensar em fabricar o EMB 190 na China, mas não obteve autorização do governo chinês para isso. Foi só na visita de Dilma Rousseff a Pequim, no ano passado, que os dois lados concordaram em estudar a fabricação em Harbin de jatos executivos, um ramo do setor aéreo ainda pouco explorado na China.

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