Embraer mantém perspectivas de ampliação dos negócios

O presidente da Embraer, Maurício Botelho admitiu hoje que a revisão da estimativa de entregas de aviões pela empresa neste ano de 132 para 110 representa um fato negativo, mas ressaltou que mantém sua total confiança nas perspectivas de ampliação de negócios nos próximos anos. "Nós tivemos o impacto de não completar algo que havíamos dito que seria atingido", disse Botelho em café da manhã com jornalistas durante a 46ª Feira Aeronáutica de Paris . "Esse tipo de coisa é sempre ruim." Ele salientou, no entanto, que "o importante é como lidar com esse tipo de coisa". Segundo Botelho, a Embraer trata de seus problemas "com integridade, transparência e um tratamento correto junto aos clientes, fornecedores e parceiros."A redução na entrega de aeronaves em 2003 deverá causar uma perda de receita de cerca de US$ 400 milhões em relação ao valor anteriormente previsto, segundo a estimativa de Botelho. No entanto, ele ressaltou que o "impacto financeiro não é relevante", pois esse declínio deverá ser compensando pelo aumento da previsão de entrega de aeronaves em 2004 de 136 para 160, o que deverá gerar um aumento de receita de US$ 552 milhões em relação ao valor anteriormente previsto.O presidente da Embraer anunciou também ontem o adiamento para novembro próximo da concessão da licença para o modelo EMB 170, que estava prevista para ocorrer neste mês, no Brasil, e em julho nos Estados Unidos. A Embraer pretendia iniciar a entrega de seis EMB170 para a companhia aérea Alitalia em agosto, mas agora terá que esperar até novembro. Segundo Botelho, o início da entrega dos EMB 170 para a companhia aérea US Airways, que estava previsto para ser iniciado em novembro próximo, não será adiado. O atraso na obtenção da licença para o EMB 170, segundo a Embraer, foi causado por problemas no desenvolvimento de um software para o cockpit da aeronave que está sendo fabricado pela empresa Honeywell. Botelho negou que as relações entre a Honeywell e a Embraer possam ser afetadas pelo adiamento. "Consideramos nossa relação com a Honeywell como uma parceria industrial muito importante e a valorizamos", disse Botelho. "Essa é uma parceria que vai durar para sempre." Segundo o executivo, apenas semana passada ficou claro que a obtenção da licença para o EMB 170 teria que ser adiada.Questionado sobre os motivos que levaram a Embraer a anunciar a venda de cem aviões EMB 190 para a companhia aérea norte-americanan JetBlues na semana passada, e não durante o evento em Paris - palco tradicional de divulgação de novos contratos - Botelho disse: "Se você tem um negócio para anunciar, deve fazê-lo o mais rapidamente possível". Ele ressaltou que uma expressão muito utilizada em inglês: "time kills a deal" (o tempo mata um negócio").O presidente da Embraer negou que o anúncio tenha sido feito na semana passada devido a uma decisão da JetBlues de não fortalecer o evento em Paris. Empresas do setor aeroespacial dos Estados Unidos estão tendo uma presença na 46ª Feira Aeronáutica de Paris bem mais modesta do que no passado. Segundo observadores, isso foi causado pela discordâncias entre o governo norte-americano e a França em relação ao conflito no Iraque. DescontoBotelho foi taxativo ao negar que a Embraer tenha concedido um desconto de 30% sobre o preços de seus aviões para fechar o contrato com a JetBlues. "Nós não temos essa margem, talvez apenas as grandes empresas possam fazer isso", disse .Novos contratosO presidente da Embraer foi cauteloso ao avaliar a possibilidade de a empresa anunicar novos contratos de venda de seus aviões até o final do ano. Ele observou que a Star Alliance uma parceria entre várias companhias aéreas internacionais - da qual participa a Varig - está promovendo um processo de avaliação para decidir qual o jato regional mais apropriado para os seus membros. A companhia SAS também está fazendo um processo semelhante. "Poderão ocorrer algumas definições até o final do ano, mas eu não tenho controle sobre isso", disse Botelho. Ele salientou que o mercado continua "duro e agressivo". "Um negócio é negócio somente após o contrato ser assinado."Botelho disse que contrato de venda de cinco jatos Legacy para o governo da Índia poderá ser assinado "nos próximos dias". Segundo ele, a joint venture da Embraer na China está caminhando "conforme o planejado", e o primeiro avião produzido na Ásia deverá estar pronto até dezembro próximo. Ele disse que há perspectiva de anúncio de novos negócios na China nos próximos meses. "Algumas negociações estão em progresso, talvez tenhamos algumas notícias até o final do ano." Consórcio China-RússiaBotelho afirmou que não está preocupado com a criação de um consórcio entre a China e a Rússia para contruir aviões regionais que competiriam com os aparelhos da Embraer. "Sem dúvida, a China e a Rússia têm a capacidade tecnológica para produzir aviões, mas eles carecem das condições industriais que Embraer tem hoje em todo o mundo." Ele explicou que os aviões da Embraer estão distribuídos em diferentes países, inclusive com rede de manutenção e apoio regional.Botelho não descartou a possibilidade de a Embraer promover uma joint venture na Rússia nos mesmo moldes da estabelecida na China. "Eu ficaria satisfeito em avaliar essa possibilidade", disse. Questionado se essa parceria na Rússia já estaria sendo negociada, ele afirmou: "como sempre digo: somente anunciamos negócios após a assinatura dos contratos."

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