Embraer muda asa de jato e chega a versão que consome menos combustível

A Embraer apresentou ontem um novo jato que proporciona, em relação a seu antecessor, uma economia de até 6,4% no consumo de combustível - um dos itens de maior preocupação entre as companhias aéreas em todo o mundo. A nova versão do E175, de até 88 assentos, é estratégica para a fabricante brasileira, já que funcionará como uma transição até a entrega da nova geração de jatos comerciais.

LUCIANA COLLET , NAYARA FRAGA, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2014 | 02h02

O lançamento é visto como uma "repaginada" do modelo original, com o acréscimo de melhorias aerodinâmicas. A nova ponta da asa (chamada de wingtip, em inglês) foi anunciada como um dos principais destaques. Embora continue curvada para cima, ela é maior e mais inclinada, para reduzir o arrasto (atrito entre o avião e o vento). "Tínhamos a melhor e mais moderna aeronave, mas com maior consumo de combustível; com as melhorias, isso mudou", afirmou o presidente da Embraer Aviação Comercial, Paulo César Silva. Fulvio Delicato, sócio-diretor da Delicato Consultoria e ex-Embraer, explica que o lançamento da empresa brasileira acompanha o movimento de outros dois grandes fabricantes, a Airbus e a Boeing (com a linha 737 Next Generation). "O pensamento dessas empresas ao apresentar seus novos modelos foi: não é hora de lançar algo 100% diferente no mercado, e sim de atender aos anseios de economia de combustível e entregar mais valor aos donos das empresas aéreas." Isso significa produzir aeronaves mais eficientes, menos barulhentas e menos poluentes, explica.

Apesar de a ideia da Embraer não ser inédita, o novo E175 está sozinho no mercado, pois é o avião da categoria de 70 a 90 assentos que apresenta o menor custo operacional, segundo a empresa.

A "reforma" da aeronave envolveu estudo de novas tecnologias. Entre elas estão softwares que controlam a queima de combustível, evitando a perda do material. Além disso, a modificação da asa foi conseguida por meio de ensaios computacionais, que verificaram a eficiência em relação à asa antiga.

Recepção. O E175 foi o jato mais vendido de sua categoria em 2013, quando recebeu 177 pedidos firmes (dos quais parte já foi entregue), além de 60 reconfirmáveis e 277 opções de quatro companhias aéreas dos EUA - Republic Airways, United Airlines, Skywest e American Airlines.

Dos 177 pedidos, cerca de 140 serão entregues na nova versão, que tem preço de tabela de US$ 43,5 milhões, acima dos US$ 43,1 milhões da versão anterior. O presidente da Embraer avalia que, entre 2015 e 2017, novas encomendas devem ser fechadas nos EUA - principal mercado para esse tipo de aeronave - entre conversão de opções e novas encomendas. Há também a expectativa de substituição de aeronaves antigas, com mais de 20 anos, e de aviões menores, de 50 assentos, pelos E175.

A primeira entrega do E175 contendo o pacote completo de modificações está prevista para as próximas semanas, segundo a Embraer. A companhia aérea que receberá o jato será a United Express, empresa de aviação regional da United Airlines.

Por ora, o novo jato da Embraer será o líder em sua classe - com a economia de combustível que superou os 5% estimados anteriormente. Mas, entre quatro e seis anos, concorrentes diretos vão surgir, segundo Delicato. Ao sair na frente, a Embraer espera ganhar o mercado.

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