Roosevelt Cassio|Reuters
Roosevelt Cassio|Reuters

Embraer negocia acordo de lay-off para até 2 mil empregados

A proposta da companhia prevê a suspensão temporária do contrato de trabalho por um período de dois a cinco meses; o plano diz respeito à unidade de São José dos Campos (SP)

Victor Aguiar, Broadcast

10 de novembro de 2016 | 17h40

SÃO PAULO - A Embraer iniciou nesta quinta-feira, 10, negociações com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos para o estabelecimento de um acordo de lay-off para até 2 mil empregados, distribuídos em grupos, ao longo de dois anos.

A proposta da Embraer prevê a suspensão temporária do contrato de trabalho por um período de dois a cinco meses, com o lay-off podendo ser realizado entre janeiro de 2017 e dezembro de 2018. O plano diz respeito à unidade de São José dos Campos (SP), e, inicialmente, será restrito às equipes de produção da companhia, mas poderá ser estendido às demais áreas da empresa. A proposta prevê a participação dos empregados em cursos ou que estejam nos programas de qualificação profissional.

"Essa é mais uma iniciativa planejada pela empresa com o objetivo de ajustar o ritmo do trabalho à queda da demanda global por produtos e serviços", diz a Embraer, em comunicado à imprensa. A próxima reunião entre as partes está agendada para 23 de novembro.

Segundo a Embraer, o lay-off possibilitará a diminuição temporária de custos, o que irá ajudar a companhia a atravessar o período de baixa demanda e ociosidade passageira. "Ao mesmo tempo, o lay-off permite ao empregado preservar o vínculo empregatício, retornando às condições normais de trabalho ao final do período", diz o comunicado.

Esta não é a primeira ação da Embraer neste sentido. Em agosto, a companhia abriu um programa de demissões voluntárias (PDV), visando a obtenção de economias anuais da ordem de US$ 200 milhões - ao todo, 1.463 adesões ao programa foram aprovadas pela empresa. Em outubro, foi aberta uma segunda fase do PDV, que contou com 180 inscrições.

No fim do mês passado, a Embraer admitiu ter montado um esquema internacional de pagamento de propinas e concordou em pagar US$ 206 milhões a autoridades dos Estados Unidos e do Brasil. As investigações apuraram o pagamento de vantagens indevidas a autoridades de países como República Dominicana, Arábia Saudita, Índia e Moçambique para garantir a escolha de aeronaves da marca em compras governamentais - a companhia já havia provisionado US$ 200 milhões no balanço do segundo trimestre deste ano.

"As dificuldades decorrentes do cenário adverso do mercado aeroespacial e de defesa e segurança têm demandado um ajuste rápido e efetivo da operação, dos custos e despesas da Embraer", afirma a companhia. "A empresa tem avançando bem na redução das despesas gerais e o lay-off é mais uma ação que vai contribuir para superação do atual momento em busca da retomada do crescimento."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.