RicardoBeccari/EMBRAER
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Embraer prevê margens menores e ações caem 4,4%

Fabricante espera cenário mais difícil em 2015, com pressão sobre preços e entregade aeronaves menores

LUCIANA COLLET , O Estado de S.Paulo

06 de março de 2015 | 02h02

A expectativa da Embraer de trabalhar com uma margem de lucro mais apertada em 2015, combinada com um resultado ruim no ano passado, fez com que as ações da fabricante brasileira chegassem a cair até 13,5% nesta quinta-feira, encerrando o dia com queda de 4,48%. A desvalorização dos papéis sinaliza um movimento de ajuste por parte dos investidores na companhia, que até então era vista como alternativa mais segura na Bolsa em um cenário de deterioração econômica e alta do dólar, já que a empresa é grande exportadora.

A Embraer estima para 2015 uma margem operacional (Ebit) de 8% a 8,5%, um intervalo inferior ao registrado no ano passado, quando o número ficou em 8,6%. Já a margem Ebitda (lucro antes de juros, impostos depreciações e amortizações) deve ficar entre 12% a 13%, também abaixo dos 13,2% reportados. A companhia explicou que espera entregar ao longo deste ano uma quantidade maior de aeronaves menores (E175) no segmento comercial, e esse fato deverá resultar em um mix menos favorável. No total, a empresa espera entregar de 95 a 100 jatos comerciais, acima dos 92 entregues no ano passado, dos quais 67% eram E175.

O presidente da companhia, Frederico Curado, disse a analistas que, além do mix pior, a empresa também vê uma pressão de preços, com a forte competição. "E isso, associado com o mix, nos dá um cenário um pouco mais complicado, por isso margens menores em 2015", comentou. Além disso, a empresa também estima receitas menores para o segmento de Defesa & Segurança, que foi o principal responsável pelo crescimento do ano passado.

No caso da divisão de aviação executiva, a Embraer espera ainda se beneficiar da aguardada recuperação do mercado, "que ainda não se materializou totalmente". Prevê uma maior contribuição dos novos jatos executivos Legacy 500 e Legacy 450, que ajudarão no aumento do número total de entregas de jatos executivos no ano, e, consequentemente, no faturamento. 

No total, a companhia espera obter uma receita líquida de US$ 6,10 bilhões a US$ 6,60 bilhões, que pode até significar uma queda ante os US$ 6,288 bilhões de 2014. Desse total, a aviação comercial responderá por cerca de 52% ante os 50% de 2014. Já a aviação executiva deve representar 28%, um montante maior que os 25,3% do exercício anterior; enquanto Defesa e Segurança terá queda na participação (de 23,2% para 18%) e na receita, dos US$ 1,456 bilhões reportados no ano passado para de US$ 1,1 bilhão a US$ 1,25 bilhão.

Ao justificar a prevista redução da receita de Defesa, o vice-presidente financeiro da Embraer, José Antonio de Almeida Filippo, disse que a estimativa está ligada à variação cambial. Cerca de 2/3 das receitas da divisão são denominadas em reais. "Em reais, a receita deve ficar estável."

Ele também afirmou que, por ora, a Embraer não considera potenciais atrasos nos repasses governamentais, embora tenha admitido que a companhia mantém conversas com o governo para confirmar a execução dos programas conforme o planejado.

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