Embraer quer exportar o caça Mirage 2000/BR

O interesse da Embraer em vencer a licitação para a renovação da frota de caças da FAB vai muito além dos US$ 700 milhões que o contrato deve gerar, e inclui também planos de exportar as aeronaves Mirage 2000-5/BR, fruto do consórcio da empresa brasileira com a francesa Dassault. A meta da Embrear é juntar o Mirage 2000-5/BR a sua carteira de exportação, que inclui os já consagrados jatos comerciais das famílias ERJ 135-145 e Embraer 170-190, que disputam o mercado mundial de aviação regional com a canadense Bombardier.Segundo Maurício Botelho, presidente da empresa, seria ineficiente transferir, por exemplo, toda uma linha de produção dos Mirage 2000/BR, desenvolvido em parceria com a francesa Dassault, dona da linha Mirage, apenas para a fabricação das 12 ou 24 unidades em Gavião Peixoto (SP). No entanto, como o acordo permite exportar o Mirage 2000-5/BR para outros países, ganhar a concorrência e montar no Brasil uma linha de produção significa expandir a capacidade exportadora da Embraer.Botelho evitou dar detalhes de quanto o novo caça poderia render à balança comercial brasileira. Mas, só no ano passado, sem os caças militares, a Embraer exportou US$ 2,897 bilhões, com alta de 7,23% sobre 2000. Botelho admitiu que a Embraer está bastante empenhada em ganhar a concorrência, que conta ainda com as participações dos consórcios Avibras-KnAAPO, Loockheed-Martin, Rac-Mig e Saab-Mae. Ele reiterou que, caso vença a concorrência, o consórcio Embraer-Dassault vai fazer uma transferência completa de tecnologia, inclusive com códigos fonte e linha de montagem. Botelho inaugurou hoje, na presença do ministro da Educação, Paulo Renato Souza, o Colégio Engenheiro Juarea Wanderley, de ensino médio, primeiro fruto do Instituto Embraer de Ensino e Pesquisa, fundado em maio do ano passado. Na batalha para vencer a concorrência aberta pela FAB, a Embraer já ganhou um forte aliado: a Câmara dos Deputados. Na mesma cerimônia, o deputado federal Walfrido Mares Guia (PTB-MG) informou que mais de 400 deputados já deram seu apoio ao movimento pluripartidário encabeçado por Paulo Delgado (PT-MG). Os deputados querem que o governo utilize cláusula da própria lei de concorrência, que permite a dispensa da licitação em casos específicos. O argumento dos deputados, segundo Guia, é de manutenção/criação de empregos e defesa do interesse nacional. Segundo o deputado, esse movimento será certamente prioridade na pauta da Comissão de Relações Internacionais da Câmara, na volta do recesso parlamentar.

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