portfólio

E-Investidor: qual o melhor investimento para 2020?

Embraer terá ajuda de US$ 600 milhões para vender aviões

Dinheiro seria repassado a BC argentino que financiaria compra de aviões pela companhia Aerolineas Argentinas

Anne Warth e Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

20 de março de 2009 | 13h08

Após demitir 20% de seus funcionários, a Embraer poderá receber um apoio indireto do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social (BNDES). Nesta sexta-feira, 20, o presidente da instituição, Luciano Coutinho, confirmou que está em estudo uma linha de financiamento, no valor entre US$ 600 milhões e US$ 700 milhões, para a compra de aeronaves da Embraer pela companhia aérea Aerolineas Argentinas. Segundo ele, o empréstimo seria garantido pelo governo argentino e pelo Convênio de Crédito e Pagamentos Recíprocos (CCR), mecanismo da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi).

 

Veja também:

BNDES financiará clientes da Embraer, diz Coutinho 

 

"É um mecanismo precioso que a Aladi tem e que permite que os créditos entre nós sejam absolutamente garantidos. É isso que nos permitirá as condições para realizar a operação", disse.

 

De acordo com o Ministério da Fazenda, o CCR é um mecanismo de compensação escritural e de garantias que funciona com base no cancelamento contábil de crédito e débito pelos Bancos Centrais. O Banco Central do país de destino de uma exportação brasileira dá mandato a um banco comercial do país de destino para operar e prestar garantias em seu nome.

 

O exportador brasileiro, mediante a apresentação dos documentos exigidos pelo convênio, recebe o pagamento por sua exportação na data de vencimento do documento de crédito. Por fim, o banco comercial brasileiro é reembolsado pelo Banco Central do Brasil, que registra um crédito em seu valor contra o BC do país de destino. Com isso, o exportador elimina o risco comercial representado pelo importador e o risco bancário representado pelo banco comercial estrangeiro envolvido na operação.

 

Coutinho negou que o empréstimo do BNDES seja destinado à Embraer. "Sempre que financiamos o comprador da aeronave da empresa, não estamos financiando a empresa, mas o comprador. Estamos gerando demanda para que a empresa tenha melhores condições de manutenção e expansão de seus empregos."

 

Demissões

 

O Tribunal Regional do Trabalho de Campinas (SP) manteve as demissões de trabalhadores realizadas pela Embraer, mas considerou os cortes abusivos, por falta de negociação prévia da fabricante de aeronaves com o sindicato.

 

A Justiça do trabalho também impôs à Embraer o pagamento de indenização extra aos demitidos. Pela sentença, a Embraer terá de pagar mais dois avisos prévios a cada empregado demitido, limitando o pagamento a R$ 7 mil.

 

Também deverá garantir o plano de assistência médica por 12 meses, a contar de 13 de março, data do fim da liminar que suspendia as demissões.

 

O julgamento aconteceu na quarta-feira, 18, após duas audiências de conciliação conduzidas pelo TRT, em que não houve acordo entre a Embraer e o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (SP), sede da empresa. As duas medidas impostas à Embraer já haviam sido propostas pela empresa nestas audiências, mas não foram aceitas pelos trabalhadores.

 

O sindicato informou que vai recorrer ao Tribunal Superior do Trabalho "por acreditar que no julgamento não foi considerada a nulidade das demissões, que era o objeto de fato da ação". O julgamento, com a presença de nove desembargadores, foi acompanhado na plateia por cerca de 150 trabalhadores demitidos.

 

As demissões, anunciadas em 19 de fevereiro, atingiram 4.200 trabalhadores, o correspondente a 20% dos empregados da fabricante de aeronaves, uma das maiores do mundo. A empresa alegou redução de encomendas em função da crise financeira global.

 

Foi a maior demissão em massa de uma companhia brasileira desde o agravamento da crise financeira global, em setembro passado. O corte teve impacto no desempenho do emprego das indústrias paulistas de fevereiro, que fechou o mês com 43 mil postos de trabalho a menos.

Tudo o que sabemos sobre:
BNDESArgentinaEmbraer

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.