Embraer vê 2010 mais positivo para vendas, mas sem euforia

Empresa não tem presenciado postergações ou cancelamentos na entrega de aeronaves como em 2009

Michelly Chaves Teixeira, da Agência Estado,

19 de março de 2010 | 10h31

A Embraer vê em 2010 um cenário mais favorável para novas vendas em relação a 2009, quando o mercado de aviação sofreu um duro golpe da crise financeira global. Mesmo assim, o vice-presidente executivo de Finanças e de Relações com Investidores da fabricante de aeronaves, Luiz Carlos Aguiar, avalia que ainda não é possível saber se esse esboço de recuperação é sustentável.

 

"Vemos um cenário um pouco mais positivo, sem dúvida, o mercado vem melhorando aos poucos, mas ainda sem grande euforia ou certeza sobre a sustentabilidade de crescimento da demanda em todas as linhas de produtos", afirmou, há pouco, em teleconferência com jornalistas. "Venderemos mais do que no ano passado, mas ainda não nos níveis de 2006, 2007", disse o executivo. Para ele, a retomada e a melhoria "significativa" deste mercado virão somente em meados de 2011.

 

Segundo o vice-presidente de Finanças, a Embraer não tem presenciado postergações ou cancelamentos na entrega de aeronaves como em 2009. Na teleconferência, Aguiar comentou que a fabricante continua dependendo de sua carteira de pedidos firmes (backlog) para gerar receitas. O backlog da Embraer somava, ao final de 2009, US$ 16,6 bilhões, volume suficiente para 3,3 anos.

 

Embora tenha destacado que a empresa já trabalhou com mais folga em seu backlog - em 2008, a carteira de US$ 20,9 bilhões supria 3,8 anos -, Aguiar destacou que o prazo de 3,3 anos é tido como "razoável" pela empresa. "Consideramos esse numero razoável, é bem confortável, sim", disse a jornalistas.

 

Conforme Aguiar, a empresa segue com expectativas positivas com relação à venda de jatos executivos. Ele disse que a empresa conseguiu vender bem estes produtos em 2009, ao contrário de seus pares, porque seus lançamentos tinham sido vendidos antes da crise. "Vendemos 850 Phenom 100 e 300 no final de 2008 e em 2009. Isso nos deu uma capacidade muito grande de entregas e de geração de receita, por isso crescemos neste segmento, a despeito da crise", explicou.

 

Ele pondera que, "infelizmente, na aviação comercial o cenário não é o mesmo". Mas Aguiar se diz confiante que a Embraer conseguirá ser competitiva em termos de preço e produtividade. O executivo destaca, também, que há indicadores enunciando uma recuperação deste mercado, como a venda de aviões usados, que está um pouco mais baixa do que no ano passado.

 

Ontem, ao divulgar suas demonstrações financeiras referente ao quarto trimestre e ano de 2009, a fabricante anunciou que espera entregar 90 aeronaves comerciais e 137 jatos executivos em 2010. Do total de aviões executivos, 120 unidades devem ser da família Phenom e os outros 17 serão Legacy e Lineage.

 

A empresa não fez menção sobre os aparelhos do segmento de defesa e governo. Como explicou hoje Aguiar, a Embraer não informa sua meta porque a maior parte das receitas deste nicho tem origem nos programas de desenvolvimento de aeronaves e prestação de serviços de engenharia.

 

Em 2009, a fabricante entregou 244 aviões, alta de quase 20% sobre as 204 unidades de 2008. A meta inicial era de 242 aeronaves entregues no período. Apesar das vendas maiores, a composição da carteira piorou de um ano para o outro com a entrada de mais jatos executivos, de menor valor, que representaram 115 unidades, alta de 220% sobre 2008. Vale notar que a primeira entrega dos jatos Phenom 100 ocorreu no final de 2008.

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