Embraer vende 50 jatos a empresa indiana

Contrato, que pode chegar a US$ 5,88 bilhões, é o terceiro negócio da fabricante envolvendo a 2ª geração de jatos, lançada há menos de um ano

Marina Gazzoni, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2014 | 02h07

A Embraer anunciou ontem a venda de cem aeronaves, entre pedidos firmes e opções, para a companhia aérea indiana Air Costa, em um contrato que pode chegar a US$ 5,88 bilhões. A encomenda contempla 25 pedidos firmes de jatos E190-E2 e outros 25 do modelo E195-E2, além de opções, na mesma quantidade. Esse é o terceiro contrato de vendas da Embraer para sua segunda geração de jatos, lançada em junho de 2013.

A venda à companhia indiana elevou o número de encomendas da família E-2 para 400 unidades - 200 pedidos firmes e 200 opções. Além da Air Costa, a companhia aérea americana SkyWest e a empresa de leasing de aeronaves International Lease Finance Corporation (ILFC) também compraram os novos aviões da Embraer. Os primeiros modelos da família E-2 começarão a ser entregues a partir de 2018.

O negócio com a Air Costa fez as ações da Embraer subirem 2,39% no pregão de ontem e registrarem a maior alta do Ibovespa, o principal índice da bolsa brasileira, que fechou em queda de 0,84%.

"Além de ser um contrato com valor expressivo, ele representa o sucesso do novo avião e uma diversificação de clientes", disse a analista da Coinvalores, Sandra Peres. "A Embraer estava muito focada no mercado americano. É positivo para a empresa ganhar mais contratos em outros países para reduzir riscos", completa.

No ano passado, todos os grandes contratos de vendas de aeronaves comerciais da Embraer foram fechados com empresas americanas. Os pedidos firmes e opções das companhias aéreas American Airlines, Republic Airways, SkyWest e United Airlines e da empresa de leasing ILFC somaram 879 aeronaves, de primeira e segunda geração. As encomendas de empresas de fora dos Estados Unidos em 2013 representaram cerca de 20 unidades.

Ásia. O mercado asiático deve responder por cerca de 20% da demanda por aviões do segmento de 70 a 130 assentos, faixa na qual estão os jatos da Embraer, segundo estimativas da fabricante brasileira apresentadas na quarta-feira.

De acordo com a Embraer, as companhias aéreas da Ásia e do Pacífico devem encomendar 1,5 mil jatos neste segmento nos próximos 20 anos, em contratos que podem somar US$ 70 bilhões, considerando os preços de lista das aeronaves.

"O tráfego aéreo na região da Ásia-Pacífico é composto principalmente por mercados com demandas de baixa e média densidade com até 300 passageiros por dia em cada sentido. Cerca de 60% desses mercados não são servidos por voos sem escalas, e cerca de metade de todos os mercados atendidos não permitem a viagem de ida e volta no mesmo dia", disse o presidente da Embraer Aviação Comercial, Paulo Cesar Silva, em comunicado.

A Embraer quer aproveitar mercados que ainda não são maduros e não comportam aeronaves maiores das concorrentes Airbus e Boeing para vender seus jatos. Em estudo sobre o mercado asiático, a brasileira estimou que 40% das rotas hoje operadas por aviões turboélices constituem trechos acima de 450 km. "Essas rotas são mais adequadas para operações de E-jets, devido à maior produtividade e conforto ao passageiro", diz a Embraer.

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