Embraer venderá 58 aviões para o Pentágono

O governo americano anunciou ontem a vitória da Embraer na licitação para o fornecimento de aeronaves de inteligência para o país. Os aviões ERJ-145 (foto) da empresa servirão de plataforma para o novo sistema Aerial Common Sensor (ACS), de inteligência, vigilância e reconhecimento em campo de batalha, encomendado pelo Exército e pela Marinha dos Estados Unidos à Lockheed Martin - líder do consórcio vencedor da concorrência do Departamento de Defesa, do qual fazem parte a empresa brasileira e a Harris Corporation. O contrato a ser assinado pode chegar a um valor entre US$ 7 bilhões e US$ 10 bilhões e criar empregos tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, já que os 58 aviões encomendados serão construídos em uma fábrica própria da Embraer, instalada em Jakcsonville, Flórida. O anúncio, ainda não oficializado pela Assessoria de Imprensa da Embraer, foi feito pelo Pentágono, nos Estados Unidos. A primeira fase do contrato, a ser concluída até 2008, está orçada em US$ 879 milhões de dólares e prevê a entrega das primeiras cinco aeronaves. A concorrência, que demorou cerca de dois anos para ser concluída, é uma das maiores vencidas pela empresa brasileira. O programa tem várias outras etapas, programadas até 2025. Nesse período, serão construídos pelo menos 58 jatos completos, já embarcados os sistemas eletrônicos desenvolvidos pelos dois parceiros locais. O programa ACS foi iniciado pelo Pentágono em 2000. Dois anos depois teve início a fase da concorrência. A escolha técnica estava decidida desde o dia 15 de maio mas foi mantida em sigilo até ontem. As especificações exigiam jatos com capacidade de voar a 11 mil metros de altitude, 800 km/hora com cerca de 6 toneladas de carga útil e com facilidades para receber reabastecimento em vôo. A fábrica da Embraer está instalada em uma antiga base aeronaval. A região mantém há cinco anos uma campanha destinada a promover a geração de empregos no setor aeronáutico, com apoio do governador estadual, Jeb Bush, irmão do presidente George W. Bush. Jeb considerou a iniciativa da Empresa Brasileira de Aeronáutica de instalar-se em Jacksonville "estratégica e inteligente". O ACS vai substituir dois equipamentos antigos, o Guardrail, do Exército e o Aries II, da Marinha. O plano do Departamento de Defesa é criar cinco batalhões aéreos de exploração de campo de batalha, cada um deles com sete aviões operacionais, dois para treinamento e um para desenvolvimento de campo. Essas 50 unidades são consideradas como lote inicial, a ser suplementado mais adiante por outras 15 que incorporarão novas tecnologias. O contrato prevê o aperfeiçoamento permanente do projeto. A versão militar do jato de médio porte Emb-145 entrou na disputa pelo fornecimento ao Pentágono em conseqüência da experiência acumulada na fabricação dos únicos modelos médios de aviões eletrônicos de inteligência da defesa disponíveis no mercado. Para equipar o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) a companhia criou o R-99 de vigilância, coordenação, controle e alerta avançado, dotado de uma grande antena dorsal externa Erieye, da Ericsson. Cinco desses aviões foram comprados pela Força Aérea Brasileira (FAB). A aviação da Grécia também adquiriu três deles. A versão R-99B usa um radar de abertura sintética e outros sensores para realizar o sensoriamento remoto. É um centro aerotransportado de inteligência, capaz de rastrear telecomunicações no solo, produzir imagens e acompanhar o movimento, por exemplo, de guerrilheiros ou contrabandistas com a mesma eficiência com que realiza levantamentos ambientais. A FAB dispõe de três aviões. Uma terceira configuração, a P-99 de patrulha marítima está sendo negociada com o governo do México e com o de uma nação da Europa não revelada pela companhia. Em 2003 um dos R-99B auxiliou o Ministério da Defesa do Peru a resgatar um grupo seqüestrado pelos rebeldes do movimento Sendero Luminoso. Por meio do rastreamento das comunicações dos guerrilheiros a posição do esconderijo foi localizada e os reféns libertados por tropas especiais.

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