Embrapa e Syngenta fecham acordo para a área de pesquisas

Numa primeira etapa os trabalhos vão se concentrar nas culturas de soja, algodão, milho e cana-de-açúcar

Paula Pacheco, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2010 | 00h00

Syngenta e Embrapa formalizam hoje, em Brasília, uma parceria que no médio prazo vai ter como foco as pesquisas nas culturas de soja, milho, algodão e cana-de-açúcar. As duas empresas já vinham trabalhando juntas há pelo menos oito meses e decidiram colocar o acordo no papel para intensificar a troca de experiências.

A parceria marca a volta da Syngenta ao mercado de sementes de algodão, que tem se mostrado muito promissor. Nos últimos 12 meses, a cotação do algodão na Bolsa de Nova York aumentou por volta de 60%. Neste ano, a previsão é que a safra do algodão brasileiro tenha um acréscimo de 5%.

Até o fim do ano as primeiras sementes de algodão da Syngenta começarão a ser vendidas para os produtores brasileiros.

"Queremos oferecer novas alternativas e ter o pacote mais completo para nossos clientes, trabalhando com defensivos agrícolas para esta cultura e também com sementes", explica Laercio Valentin Giampani, diretor-geral da empresa no Brasil.

Há cerca de seis meses a Syngenta vem testando diferentes variedades de sementes de algodão da Embrapa em 30 propriedades de produtores. Os testes estão sendo feitos em cidades como Luiz Eduardo Magalhães (BA), Rondonópolis e Sorriso, em Mato Grosso.

"O algodão brasileiro tem um futuro fantástico por causa das características da pluma nacional. Isso faz com que o produto seja muito competitivo", explica Giampani.

Para Ademir Luiz Capelaro, diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Syngenta, o acordo com a Embrapa vai acelerar os negócios. "Agora estamos formalizando um protocolo de trabalho."

A venda de sementes de algodão já fez parte do portfólio da Syngenta do Brasil. Mas, com o tempo, a matriz preferiu se desfazer do negócio e manteve apenas a área de pesquisa.

Açúcar e etanol. A cana-de-açúcar também é uma promessa para a empresa. Há cerca de um ano, a Syngenta conseguiu se lançar como a primeira a ter sementes de cana. A novidade ainda está em processo de validação em 50 usinas do Centro-Sul. O cultivo secular é por meio de gomos onde estão as gemas, que, plantadas, germinam.

A empresa está construindo uma fábrica em Itápolis, interior paulista, com dedicação exclusiva às pesquisas de cana. Numa etapa seguinte, a multinacional espera ter concluída a pesquisa da variedade geneticamente modificada da planta. "Queremos ter 15% de participação desse mercado até 2015 ou R$ 300 milhões de receita", diz Giampani.

Felipe Teixeira, chefe da Assessoria de Inovação Tecnológica da Embrapa, diz que a parceria na cana-de-açúcar tem como principal atrativo o potencial energético do País.

"A Embrapa entrou recentemente nas pesquisas nessa área. Com o acordo com a Syngenta e outros centros de pesquisa, teremos acesso a uma base genética importante", destaca.

FICHA TÉCNICA

Perfil da Syngenta, que opera em mercados como o grãos e de horticultura

País de origem:

Suíça

Investimento mundial em tecnologia:

US$ 1 bilhão/ano

Áreas de atuação:

produção de sementes

e agrotóxicos

Presença global:

90 países

Posição do Brasil no ranking da multinacional:

2º lugar

Inadimplência em 2009:

1,5%

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