Embratel na mira do Procon

A Embratel está se tornando a bola da vez em alguns Procons. O registro de contas indevidas e a falta de disposição da operadora em negociar com os clientes têm sido apontados como fatores negativos da empresa por especialistas em consumo. "Ela empurra a responsabilidade dos problemas para as operadoras locais que são donas das linhas dos consumidores", diz a assessora de Diretoria do Procon de São Paulo, Márcia Oliveira.A responsável pela área de consumidores da Diretoria Jurídica da Embratel, Silvana Guerino, disse na semana passada que, de fato, era difícil pôr as reclamações de usuários unicamente nas mãos da Embratel. Entretanto, a assessora de diretoria do Procon acredita que o consumidor acaba perdido nessa briga entre as duas operadoras. "O cliente não tem como provar que não ligou, pois não há um medidor de pulso como os de água e de luz", diz ela. Além disso, a Embratel alega utilizar "equipamentos da mais alta tecnologia" e diz que não há qualquer possibilidade de falhas no sistema. Com isso, a empresa sugere que os consumidores que apresentaram reclamações estariam agindo de má fé. A advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Maria Inês Dolci, acredita que neste caso todas as operadoras são co-responsáveis. "O caminho dessas chamadas indevidas não é conhecido", diz. "Mas depois quem paga a conta é o consumidor." Segundo Átila Nunes Neto, do Procon do Rio, a Embratel não atende ao princípio da responsabilidade solidária, no qual a empresa que tem contato com o consumidor é que soluciona o assunto e, se for o caso, vai cobrar da outra ponta, no caso as operadoras locais, os eventuais erros. Para Silvana Guerino, da Embratel, esse princípio não é justo no caso da telefonia. "Uma empresa de alimentos escolhe para qual padaria ela quer ou não vender seu produto; eu não tenho essa alternativa no caso da telefonia", afirma.ReaçãoNa semana passada, a Embratel procurou reagir às críticas dos Procons e anunciou que estava tomando providências para resolver alguns problemas. No caso da emissão de contas atrasadas, por exemplo, que chegam acumuladas na casa do usuário (o que acaba somando um valor muito alto para que o cliente pague de uma vez.), o diretor de Marketing da Embratel, Eduardo Levy, disse que a empresa deve parcelar esses débitos.

Agencia Estado,

09 de outubro de 2000 | 14h31

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