Emenda do Comitê da Câmara impede compra de petróleo do Irã nos Estados Unidos

A emenda, aprovada pelo Comitê da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, poderá custar bilhões de dólares a algumas empresas petrolíferas europeias

André Lachini, da Agência Estado,

24 de maio de 2010 | 16h23

Um Comitê da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou uma emenda no projeto de lei dos gastos da defesa que poderá custar bilhões de dólares a algumas empresas petrolíferas europeias, em contratos com o Departamento de Defesa, por terem comprado petróleo iraniano.

A emenda, que escalaria de maneira dramática as sanções norte-americanas contra o Irã, mas cujas perspectivas de realmente virar lei parecem escassas - impediria o Pentágono de assinar contratos para comprar combustível de empresas que fazem negócios com a indústria de energia do Irã. "O secretário de Defesa não pode entrar em qualquer contrato com uma empresa que se engaje em atividades comerciais com o setor de energia do Irã", diz o texto, de acordo com uma cópia obtida pelo Wall Street Journal.

A passagem da medida reflete a crescente frustração de parte do Congresso com o fracasso da diplomacia para controlar o programa nuclear do Irã.

O Pentágono é o maior consumidor mundial de petróleo, queimando cerca de 400 mil barris por dia para sua enorme frota de aviões e veículos, de acordo com estimativas do Congresso. Cerca de metade da arrecadação do governo iraniano é obtida das exportações de petróleo, então qualquer queda substancial poderia atingir a economia do Irã. Atualmente, as vendas iranianas de petróleo não estão sujeitas a nenhuma sanção dos EUA ou da Organização das Nações Unidas (ONU).

A emenda é parte de um projeto de lei de gastos militares aprovado na semana passada pelo Comitê de Serviços das Forças Armadas da Câmara. A Câmara dos Representantes inteira deverá votar a legislação nesta semana. Dois assessores do Congresso disseram que a emenda tem apoio bipartidário no Comitê, aumentando sua possibilidade de aprovação. Mas suas chances de passar no Senado permanecem incertas.

Mesmo se a emenda passar na Câmara, é provável que enfrente uma oposição firme no Senado e no Pentágono, que precisarão encontrar alternativas de fornecedores de petróleo - o que não é uma tarefa fácil. O governo do Irã também disse recentemente que qualquer movimento dos EUA que tenha na mira as exportações iranianas de petróleo seria visto como um ato hostil, outra razão para que o Pentágono e a Casa Branca tendam a ver de maneira desfavorável a emenda da Câmara.

Empresas como a Royal Dutch Shell Plc e a BP Plc tem estado entre as principais fornecedoras de petróleo para o Pentágono nos últimos anos, de acordo com dados do USAspending.gov, um website do Escritório de Gestão e Orçamento que segue contratos federais. As duas empresas também compram petróleo do Irã. Na semana passada, o Wall Street Journal informou que algumas empresas, incluída a Shell, estavam disfarçando algumas das suas compras iranianas, de acordo com dados de comércio marítimo, mesmo que essas atividades permaneçam perfeitamente legais.

No momento, a Câmara e o Senado dos EUA estão conciliando projetos de lei que expandirão sanções já existentes contra o Irã, por causa do seu programa nuclear, penalizando empresas que exportam gasolina ao Irã. O Irã importa cerca de 40% do total de gasolina que precisa, devido à sua capacidade limitada de refino. A legislação atraiu críticas de alguns grupos empresariais americanos e de empresas estrangeiras, os quais afirmam que isso tenta impor a lei dos EUA além das suas fronteiras. As informações são da Dow Jones.

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