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Emergentes ainda causam nervosismo no mercado

Os ativos de países emergentes vivem, sem dúvida, um período de forte volatilidade resultante de um movimento negativo no cenário externo e uma sucessão de problemas localizados que acentuaram a cautela dos investidores e alimentaram um movimento de aversão ao risco. Mas o ambiente entre os investidores está distante de uma situação de pânico. Prevalece ainda a avaliação de que se trata de mais um movimento de curto prazo, distante de um limiar de uma crise ou algo do tipo. No geral - e essa avaliação se aplica muito ao Brasil - os fundamentos dos emergentes continuam sendo vistos como positivos, salvo alguns pontos de incerteza em países com déficits em conta corrente como a África do Sul e Hungria. A "mãe de todos os temores", que ganhou corpo nesta semana, está na desaceleração econômica dos Estados Unidos, que poderia ter um efeito global, derrubando a demanda por commodities e, em conseqüência, prejudicando as exportações e as contas correntes do universo emergente. Mas a maioria dos analistas ainda aposta num `pouso suave´ na economia norte-americana que será compensado pelo maior vigor no ritmo de atividade na Europa, Japão e grandes potências emergentes, como a China e a Índia.Mas eventos negativos em alguns emergentes nos últimos dias serviram para fortalecer momentaneamente o argumento da ala mais pessimista dos mercados. Golpe de Estado na Tailândia, turbulência política na Hungria, novas denúncias de corrupção no Brasil prestes a ir às urnas, colapso do governo polonês e incerteza política no Equador. Essa conjunção de fatores serviu para um forte movimento de realização de lucros, após os emergentes terem oferecido retornos consideráveis até o final de agosto. Mas, avaliados minuciosamente, esses acontecimentos não são considerados estopins potenciais de uma crise sistêmica ou mesmo localizada. Na Tailândia, a atitude quase sempre pragmática dos mercados avalia até que no longo prazo a mudança política poderá trazer dividendos econômicos. A Hungria, embora com fragilidades em suas contas externas, não é vista como uma bola da vez. O caso da Polônia e Equador são apenas acessórios nessa onda de nervosismo. "Janela" Segundo analistas, o Brasil também não tira o sono dos investidores e não justifica apostas com tom temerário. Há meses analistas estrangeiros previam que a eleição presidencial seria antecedida por novas denúncias e turbulência política. Surpreendeu apenas a demora para o aparecimento desse clima. Uma coincidência infeliz fez com que o aquecimento político no Brasil surgisse justamente num momento negativo do ciclotímico ambiente externo.Mas embora manifestem preocupação com as perspectivas do País a partir de 2007, principalmente no campo fiscal e das reformas, a avaliação dos fundamentos da economia brasileira continuam, no geral positivas. A inflação está em queda, o crescimento é frustrante mas está em ascensão. As exportações, embora cada vez mais afetadas por um mercado externo menos acelerado, estão longe de sinalizar uma ameaça para as contas externas brasileiras.A duração do clima de nervosismo em torno do Brasil vai depender do humor externo e do andamento da crise política e seu impacto sobre as eleições. Mas muitos analistas acreditam que qualquer queda excessiva dos preços dos ativos brasileiros será amortecida por investidores ansiosos em comprar esses instrumentos na baixa, apostando numa valorização quando a tempestade passar. Para parte dos investidores, a atual turbulência brasileira, ao contrário de preconizar uma tendência sustentável, está na verdade abrindo "janelas de oportunidade".

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