Emergentes cobram maior peso de voto no Fundo

Os grandes países emergentes ajudaram o Fundo Monetário Internacional (FMI) a recuperar a relevância perdida. Agora, eles estão cobrando a fatura. Depois da reunião em Londres de ministros da Fazenda das 20 maiores economias na semana passada, em preparação para a cúpula do G-20, os chamados Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) emitiram um comunicado pedindo a transferência de 7% das cotas dos países desenvolvidos no FMI para os emergentes, e 6% da fatia no Banco Mundial (Bird).

, O Estadao de S.Paulo

13 de setembro de 2009 | 00h00

O principal alvo é a participação dos europeus, que estão "sobrerrepresentados" no Fundo em relação a seu peso na economia mundial. Os Estados Unidos estão relativamente equilibrados. Os Brics pedem ainda o fim da dobradinha EUA-Europa no comando do FMI e Bird.

Mas no comunicado de Londres, o G-20 não se comprometeu com nenhuma meta específica de reforma das instituições multilaterais, a não ser "completar as reformas no Banco Mundial até a primavera de 2010 e a nova revisão de cotas do FMI até janeiro de 2011", prazos que já haviam sido estabelecidos antes. "Reconhecemos que a voz e a representação das economias em desenvolvimento, incluindo as mais pobres, precisam aumentar significativamente para refletir as mudanças da economia mundial. Esperamos ter grande progresso em Pittsburgh", limitaram-se a dizer.

A reforma do FMI deve ser um ponto nevrálgico na cúpula do G-20 em Pittsburgh, nos dias 24 e 25. "A reforma na governança do Fundo é essencial para que a instituição tenha mais legitimidade, represente mais os países que refletem a nova ordem econômica no mundo", diz Domenico Lombardi, pesquisador do Brookings Institution que estuda o papel do FMI e do Banco Mundial na arquitetura financeira global.

Criado em 1944 na conferência de Bretton Woods, o FMI passou 60 anos dominado por americanos e europeus. Na divisão feita nos anos 40, ficou estabelecido que os americanos sempre indicariam o presidente do Bird, enquanto caberia aos europeus escolher quem lideraria o Fundo.

Agora, o Brasil já declarou que espera que o atual gerente-geral do FMI, o francês Dominique Strauss-Kahn, seja o último europeu automaticamente aceito para o posto - seu mandato expira em 2012.

Negociadores brasileiros envolvidos no debate revelam ao Estado que há um consenso geral de que manter o posto para os europeus não é mais sustentável.

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