Emergentes começam a 'relaxar' política monetária

Estudo do IIF mostra que, um ano após estresse no mercado financeiro global provocado pelo Fed, medidas para conter fuga de capital são amenizadas

ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, CORRESPONDENTE / NOVA YORK, FERNANDO NAKAGAWA, CORRESPONDENTE / LONDRES, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2014 | 02h05

A volatilidade relativamente baixa no mercado financeiro internacional e as preocupações com o crescimento econômico estão levando bancos centrais de países emergentes a relaxar a política monetária, disse o Instituto Internacional de Finanças (IIF, na sigla em inglês), entidade formada pelas maiores instituições financeiras do mundo, em estudo divulgado ontem.

Exatamente um ano depois do estresse causado no mercado financeiro mundial em maio de 2013, quando o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke, sinalizou pela primeira vez que a política monetária dos Estados Unidos iria mudar, a situação hoje é outra. Boa parte das moedas dos emergentes se recuperou do tombo da época, as bolsas subiram e as empresas estão conseguindo captar com mais facilidade no mercado externo, o que tem reduzido os custos das captações.

Logo após Bernanke declarar que a política do Fed mudaria até o final de 2013, os bancos centrais começaram uma política de aperto monetário e os governos dos países emergentes tomaram outras medidas para conter a fuga de capital, que agora começam a ser relaxadas. O IIF cita a decisão de quinta-feira do BC da Turquia de cortar os juros. No caso da Rússia, o ambiente menos volátil e a expectativa de que as eleições neste fim de semana na Ucrânia leve a uma estabilização da crise permitiram ao BC russo reduzir suas intervenções no mercado de câmbio, destacam os economistas da entidade.

A expectativa da adoção de novos estímulos monetários na Europa em junho tem enfraquecido o euro ante outras moedas, ressalta o IIF. Com isso, os investidores passaram a fazer as chamadas operações de carry trade em ritmo mais forte com a moeda única europeia nas últimas semanas. Nesse tipo de estratégia, eles tomam dinheiro com juros baixos nos países do primeiro mundo e aplicam em emergentes. O IIF destaca que o Brasil é um dos países que mais se beneficiaram desse tipo de operação este ano, levando a uma apreciação do real, juntamente com as moedas da Colômbia e Turquia.

Volatilidade. A volatilidade no mercado de câmbio está nas últimas semanas nos menores níveis desde 2007, afirma o IIF, o que segue estimulando as operações de carry trade. O apetite ao risco dos investidores também segue forte, embora não nos mesmos níveis vistos em meados de março e abril. Mas a expectativa de mais estímulos monetárias na reunião de junho do Banco Central Europeu, destacam os economistas da instituição, acabou ajudando a melhorar a confiança dos agentes.

Apesar do clima de menos estresse, esse ambiente mais amigável no mercado financeiro pode se reverter rapidamente, alerta o IIF, citando dois fatores. O primeiro é qualquer mudança na aposta de Wall Street de elevação dos juros nos Estados Unidos.

Por enquanto, a expectativa é de que a taxa vai continuar nos níveis atuais por mais algum tempo, sobretudo após a ata da última reunião de política monetária do Fed. O segundo fator seria uma piora da situação na Ucrânia.

A China também apresenta riscos, sobretudo após revelar dados que mostram desaceleração no setor imobiliário. Mas o relatório do IIF destaca que fez um evento em Xangai esta semana e que os debates mostraram que muitos economistas chineses avaliam que a desaceleração do setor é passageira.

Além disso, a expectativa de adoção de estímulos do governo chinês e aumento da demanda externa devem fazer a economia voltar a crescer mais no segundo semestre. No mesmo evento, os economistas alertaram que, se a perda de fôlego do setor imobiliário for além do esperado, os efeitos na economia podem ser mais drásticos.

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