Emergentes devem fazer mais para Doha, diz UE

Brasil, Índia, China e outros países emergentes devem fazer mais nas negociações da Rodada de Doha, afirmou nesta quarta-feira o comissário de comércio da União Européia (UE), Peter Mandelson. Para a UE, os países que formam o G20 "não estão dando os sinais que precisamos sobre a eliminação de suas altas tarifas industriais que atualmente bloqueiam o comércio". O comissário se reuniu hoje com a comissária de agricultura, Mariann Fischer Boel, e com o Executivo comunitário para analisar o estado atual das discussões na Organização Mundial do Comércio (OMC). Depois de falhar em cumprir o prazo para a conclusão da Rodada de Doha, estabelecido para este mês, os envolvidos agora esperam chegar a um acordo até junho, mas estão reticentes em fixar uma nova data. "Nosso objetivo é concluir as negociações este ano. Entretanto, isso não será a qualquer preço", afirmou Mandelson. "Queremos um resultado ambicioso, mas também realista." A discussão continua a mesma, em torno de três pontos cruciais que unem sempre duas partes contra a terceira. UE e Estados Unidos coincidem em que os países do G20 devem avançar na abertura dos setores industriais e de serviços. O G20, com apoio dos norte-americanos, pede que os europeus permitam um maior acesso ao mercado agrícola comunitário. Já a UE se alia ao G20 para exigir dos Estados Unidos uma redução nos subsídios internos agrícolas. "O desafio é formar um triângulo equilátero com essas três exigências", explicou à BBC o conselheiro da Missão do Brasil para a UE, Carlos Márcio Cozendey. Maiores problemas Na coletiva de hoje Mandelson insistiu em que o maior problema são as exigências feitas pelos países em desenvolvimento. "A Rodada de Doha não é um acordo puramente mercantilista. Mas também não pode ser uma barganha de via única na qual se espera que a Europa seja o único agente para fechar o acordo", defendeu. Respaldando-se em informações de empresários europeus, o comissário alegou que a UE "está à beira de um sacrifício agricultural". Ainda assim, disse que a reforma da Política Agrária Comum européia deixará uma "margem de manobra" e que a UE está disposta a aproveitá-la para melhorar sua proposta nessa área. Mas lembrou que o passo adiante só será dado se o G20 avançar "proporcionalmente" nos outros setores. Mandelson também pediu que o Brasil coordene suas propostas com os outros países envolvidos na negociação e disse que não há espaço hoje em dia para movimentos unilaterais. Do lado brasileiro, Cozendey afirma que o Brasil não pretende fazer maiores concessões sem antes receber o mesmo dos europeus. Na última reunião com representantes da UE e da OMC, em março no Rio de Janeiro, o governo brasileiro concordou em abrir áreas econômicas como a de bens industriais, serviços financeiros e transporte marítimo em troca de uma maior abertura agrícola por parte da UE.

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