Emergentes e bancos formularão código entre devedores e credores

Países emergentes e o Institute of International Finance (IIF), entidade com sede em Washington que reúne grandes instituições financeiras privadas, lançaram um esforço conjunto para atrair apoio aos Princípios para Fluxos de Capitais Estáveis e Reestruturações Justas de Dívidas, informou hoje o jornal Financial Times. Esse código de princípios foi formulado pelo IIF em conjunto com um grupo de grandes países liderados pelo Brasil e México. O código pretende nortear o comportamento dos países credores e endividados quando ocorrerem no futuro crises financeiras e moratórias de dívidas soberanas em países emergentes. O documento inclui recomendações de maior transparência e da necessidade de maior diálogo antes de possíveis crises, além de regras básicas para o estabelecimento de comitês de credores quando ocorrerem defaults (calote). Os princípios prevêem também um tratamento igual para todos os credores em caso de moratória. O IIF juntamente com representantes do México, Brasil e Coréia do Sul vão manter encontros em Paris e Berlim neste mês para procurar atrair mais apoio dos países emergentes e dos investidores.CeticismoSegundo o FT, houve uma reação de ceticismo aos princípios da parte de alguns gerentes de grandes fundos, que representam investidores em mercados emergentes. Eles alegam que as provisões para o processo de consulta dos investidores são inadequadas, questionam a utilidade do código e alertam que, se eles não forem alterados, serão ignorados por credores e países emissores de dívida. Segundo o diário britânico, isso ajuda a explicar por que o G-20 (grupo que reúne ministros e bancos centrais dos principais países ricos e em desenvolvimento) - apesar de elogiar o esforço e sugerir seu aprofundamento - não endossou formalmente o documento. Essa posição do G-20 em relação ao tema, no entanto, não está clara. Em novembro passado, durante a reunião anual do G-20 em Berlim, o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, e o presidente do Banco Central , Henrique Meirelles, comemoram o que qualificaram na época como o endosso do organismo à proposta. Segundo eles, o código trará maior estabilidade ao sistema financeiro internacional.A Argentina se opôs à iniciativa, pois considera que ela pode afetar negativamente a sua tentativa de troca da dívida com os credores privados, iniciada na semana passada. O governo argentino, inclusive, não participou do encontro do G-20 em Berlim.

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