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Louise Barsi: O Jeito Waze de investir - está na hora de recalcular a sua rota

Emergentes e ricos resistem e ameaçam a Rodada Doha

Em uma resposta à pressão dos países ricos para que as economias emergentes abram seus mercados, um grupo de 90 países em desenvolvimento liderados por Brasil e Índia apresentou ontem à Organização Mundial do Comércio (OMC) uma nova posição resistindo a cortes profundos no setor industrial, pedindo prioridade à agricultura e a inclusão do etanol nas negociações. Na prática, a resistência tanto dos países emergentes como das economias ricas põe em xeque a própria Rodada. A proposta, com amplo peso político, foi recebida em Washington e Bruxelas como um sinal de que a Rodada Doha pode fracassar.As diferenças e o tiroteio são tão expressivas entre os governos que a OMC rompe com a tradição e decide evitar realizar sua conferência ministerial neste ano. Pelas regras, a conferência deveria ocorrer a cada dois anos (a última foi em 2005 em Hong Kong). Mas, sem acordo, o diretor da OMC, Pascal Lamy, optou por esperar uma conclusão da Rodada. Até o início de novembro, um novo rascunho do acordo deve ser feito e, então, os países avaliarão se será possível um entendimento.''''Há uma séria questão se de fato esses países (emergentes) querem negociar'''', atacou Peter Allgeier, embaixador dos Estados Unidos na OMC. ''''Os países emergentes esperam que tomemos iniciativas. Mas não querem fazer o mesmo. Isso não é justo.'''' Em Washington, negociadores questionaram se a medida não teria como finalidade impedir qualquer acordo.Para o Brasil, a proposta não faz nada além de recolocar as prioridades dos países emergentes no centro do debate. Nos últimos dias, a Casa Branca vinha pressionando para que Brasil, África do Sul e Índia utilizassem sua cúpula na semana que vem para fazer concessões na área industrial. A resposta veio ontem e foi em direção oposta.Pelo novo documento, o grupo de emergentes, africanos, caribenhos e outros governos alerta que a preocupação com o desenvolvimento dos países mais pobres deve ser o objetivo das negociações, o que não estaria ocorrendo. Por isso, um corte de tarifas industriais não poderia passar de 50%, e não 66% como querem os países ricos. Flexibilidades para que cada país possa ter sua política industrial também foram adotadas. ''''Essa proposta pode ter sido o prego final no caixão da Rodada'''', afirmou um negociador mexicano. O México, assim como Chile, Costa Rica, Peru e alguns países em desenvolvimento, não apóiam a posição do grupo liderado pelo Brasil.A proposta pede que o etanol seja tratado como um bem ambiental e, portanto, seja incluído na lista de produtos que terão as tarifas zeradas. A proposta é rejeitada tanto por americanos como por europeus.

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