Emergentes fazem legítima defesa comercial, diz Dilma

Ao iniciar o discurso de abertura da 67ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), a presidente Dilma Rousseff se queixou nesta terça-feira que, ao retomar à mesma tribuna um ano depois, as principais lideranças mundiais continuam apostando em medidas fiscais que não estimulam o crescimento e na política monetária como solução para acabar com a crise financeira. "A política monetária não pode ser a única resposta para resolver o crescente desemprego, o aumento da pobreza e o desalento, que afeta, no mundo inteiro, as camadas mais vulneráveis da população", afirmou.

LEONENCIO NOSSA E GUSTAVO CHACRA, Agencia Estado

25 de setembro de 2012 | 14h01

Ela avisou que os países emergentes vão usar medidas para garantir as exportações e evitar prejuízos com as novas rodadas de injeção de dinheiro novo no mercado pelos bancos centrais dos Estados Unidos, da Comunidade Europeia e do Japão. "Não podemos aceitar que iniciativas legítimas de defesa comercial por parte dos países em desenvolvimento sejam injustamente classificadas como protecionismo", disse. "Devemos lembrar que a legítima defesa comercial está amparada pelas normas da Organização Mundial do Comércio", ressaltou. "O protecionismo e todas as formas de manipulação do comércio devem ser combatidos, pois conferem maior competitividade de maneira espúria e fraudulenta."

O alvo de Dilma era o Federal Reserve (o Fed, o banco central dos Estados Unidos), que anunciou a injeção de US$ 40 bilhões por mês no mercado americano em títulos emitidos por órgãos do governo. "Os bancos centrais dos países desenvolvidos persistem em uma política monetária expansionista, que desequilibra as taxas de câmbio", afirmou. "Com isso, os países emergentes perdem mercado, devido à valorização artificial de suas moedas, o que agrava ainda mais o quadro recessivo global."

Num plenário que aguardava com ansiedade o debate sobre a crise no Oriente Médio, Dilma Rousseff gastou boa parte dos 24 minutos de discurso para manter a posição brasileira de defesa do multilateralismo e de maior coordenação dos fóruns mundiais para frear as "políticas ortodoxas" adotadas pelos países desenvolvidos que, segundo ela, agravaram a crise econômica iniciada em 2008, com repercussão nos países emergentes. "Essa coordenação deve buscar reconfigurar a relação entre política fiscal e monetária, para impedir o aprofundamento da recessão, controlar a guerra cambial e reestimular a demanda global."

Dilma criticou especialmente as exigências fiscais da Comunidade Europeia em relação a países em dificuldades econômicas. Ela avaliou que o Brasil, nos últimos anos, se desenvolveu e reduziu a pobreza e, ao mesmo tempo, evitou a inflação. "Superamos a visão incorreta que contrapõe, de um lado, as medidas de incentivo ao crescimento e, de outro, os planos de austeridade", disse. "Esse é um falso dilema. A responsabilidade fiscal é tão necessária quanto são imprescindíveis medidas de estímulo ao crescimento."

Ela fez um balanço dos esforços brasileiros para garantir o crescimento. "Mantivemos uma política econômica prudente, acumulamos reservas cambiais expressivas, reduzimos fortemente o endividamento público e, com políticas sociais inovadoras, retiramos 40 milhões de pessoas da pobreza, consolidando o mercado interno de consumo", disse. "Fomos impactados pela crise", observou. "Mas, apesar da redução conjuntural do nosso crescimento, estamos mantendo o nível de emprego em patamares extremamente elevados."

Tudo o que sabemos sobre:
DilmaONUdefesa comercial

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.