Emergentes não escapam de estagnação

Relatório de escritório em cujos dados o Banco Mundial se baseia mostra queda global na produção industrial no segundo trimestre

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA , O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2012 | 03h05

A produção industrial mundial vive uma nova estagnação e nem mesmo os países emergentes agora são poupados. Dados do Escritório de Análise Econômica da Holanda - entidade que serve de base para os cálculos do Banco Mundial - apontam que a produção voltou a sofrer no segundo trimestre do ano. A América Latina foi a região que apresentou o pior resultado entre os emergentes, com uma contração da produção de 0,5%.

Esta é a primeira vez que a produção industrial no mundo deixa de crescer desde que a crise voltou a atingir as economias. Em 2009, a produção despencou 6,6%. Mas registrou recuperação de 10% em 2010 e de 5,4% em 2011. Já num sinal de desaceleração. Em 2012, o cenário mudou radicalmente. No primeiro trimestre, a alta foi só de 1,8% e, no segundo, o crescimento foi nulo.

Mais uma vez, a queda ocorre por conta dos países ricos. No segundo trimestre, a produção encolheu 0,3%. O Japão foi quem mais sofreu, com queda de 2,1%. Na Europa, a contração foi de 0,5%. Apenas a economia americana mostrou sinais de resistência, com crescimento de 0,6%. Mas bem abaixo dos 1,4% do primeiro trimestre.

O fenômeno não poupou os emergentes. Depois de a produção se expandir quase 3% entre janeiro e março, os novos dados mostram um crescimento de apenas 0,2% entre abril e junho. A Ásia conseguiu manter expansão de 0,3%. Mas não passou nem perto do crescimento de 4% dos primeiros três meses do ano.

A América Latina foi a única região que teve queda na produção industrial no período, de 0,5%, mantendo situação que já vem se transformando em uma das marcas do continente. No quarto trimestre de 2011, a produção caiu 0,6%. No período seguinte, nova contração, de 0,1%.

Importação. Parte da explicação é a queda na demanda entre os maiores consumidores do mundo, o que vem levando a uma desaceleração nas exportações. No segundo trimestre, as importações foram 0,6% inferiores ao primeiro trimestre. Só em junho, a queda foi de 1,8%.

A queda no consumo acabou afetando as exportações nesse período, com retração mundial de 1% em junho e de 3% para os emergentes, que têm justamente nas economias ricas seu principal mercado. Os países desenvolvidos mantiveram expansão de 0,9% no mês e no trimestre. Mas a Ásia teve perdas de 3,7% e as economias latino-americanas, de 0,3%.

Ao contrário de períodos anteriores, porém, a contração nas importações não veio apenas de países ricos. Na zona do euro, em crise, a retração na entrada de bens importados caiu 1,7% no trimestre. No Leste Europeu, a queda foi de 3,2%.

No geral, os emergentes compraram 0,6% menos que no primeiro trimestre, com queda de 0,8% na Ásia. Em junho, a retração no continente foi de 5,4%, cenário bem diferente da expansão de 20% em 2010.

Na América Latina, a queda em junho foi de 0,7%. Mas o trimestre ainda acabou com saldo positivo. Isso não tem impedido a explosão de medidas protecionistas no continente, com relatórios da Organização Mundial do Comércio apontando para a proliferação de barreiras em países como Brasil e Argentina. Nos últimos dias, quatro países já entraram com disputas contra a política comercial de Buenos Aires.

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