Emergentes não evitarão queda do PIB mundial, diz ONU

Organização alerta para redução na economia de pelo menos 1% neste ano; FMI projetava crescimento de 0,5%

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo,

27 de fevereiro de 2009 | 20h59

A economia mundial encolherá em 2009 e o desempenho dos países emergentes não será suficiente para evitar uma queda do PIB mundial. A avaliação é da ONU, que já estima que a redução da economia do planeta seja de pelo menos 1% neste ano. A entidade, porém, já não descarta que a queda seja ainda maior. A redução real da economia mundial ainda teria consequências para o comércio e fluxos de investimentos. Há apenas um mês, o Fundo Monetário Internacional (FMI) havia alertando que o mundo teria um crescimento de apenas 0,5% em 2009, depois de três revisões de seus números.  Veja também:PIB dos EUA no tri da crise tem maior queda desde 1982 Veja os principais pontos do Orçamento dos EUAAs medidas do emprego De olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise   Agora, a ONU indica dados ainda mais sombrios. Os cálculos da Conferência da ONU para Comércio e Desenvolvimento tomam por base a projeção de que os países emergentes crescerão, em média, 2,5% em 2009. Já os países ricos, que tem um peso maior no PIB global, sofreriam uma queda média de 2% durante o ano. Para o FMI, o mundo em desenvolvimento poderia crescer em 3,5%, o que permitiria que a economia global se mantivesse no lado positivo da balança.  Dados oficiais já mostram que a primeira recessão simultânea no Japão, Estados Unidos e Europa desde a Segunda Guerra Mundial está tendo um impacto generalizado. Nos Estados Unidos, a contração da economia é a maior em 26 anos. Na Alemanha, é a pior em 22 anos e, no Reino Unido, a pior retração em 30 anos. No Japão, o PIB sofreu sua maior queda em 35 anos. A esperança das entidades e mesmo dos países ricos era de que as economias emergentes permanecessem de certa forma imune à crise. Mas a realidade está provando o contrário. Mesmo que a crise não tenha surgido nos países emergentes, todos os principais mercados sofrerão, com repercussões no volume de empregos gerados. Entre os emergentes, a pior situação é a da Rússia, que registrou uma queda no PIB de 8% em janeiro, em comparação ao mesmo mês em 2008. A queda no preço do petróleo e a recessão mundial seriam os principais fatores. Para o Morgan Stanley, a China não crescerá acima de 5,5% em 2009. Mas o governo continua insistindo que atingirá 8% de expansão do PIB. Mesmo assim, a taxa seria inferior a dos últimos dez anos. Nesta sexta-feira, o governo da Índia ainda divulgou seus novos números sobre a economia. O país teve um crescimento do PIB de 5,3% entre outubro e dezembro de 2008, bem abaixo dos mais de 7% de expansão no trimestre anterior. A taxa no final de 2008 foi a mais baixa em seis anos. Já na África do Sul, a queda do PIB foi de 1,8%.

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