Susan Walsh|AP
Susan Walsh|AP

Emergentes perdem US$ 2 bi na véspera de reunião do BC americano

Com expectativa de alta dos juros nos EUA, recursos saíram das bolsas até o dia 11; novembro, com saldo negativo de US$ 3,5 bi, foi o 4º dos últimos 5 meses em que os fluxos internacionais para os emergentes ficaram negativos, segundo dados do IIF

Altamiro Silva Junior, correspondente, O Estado de S.Paulo

15 Dezembro 2015 | 22h06

NOVA YORK - Os dias que antecedem a reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), uma das mais esperadas dos últimos anos, são marcados pela retirada de recursos externos das bolsas de países emergentes, de acordo com um levantamento do Instituto Internacional de Finanças (IIF, na sigla em inglês) divulgado nesta terça-feira, 15.

Os fluxos na semana encerrada no dia 11 apontam retiradas ao redor de US$ 2 bilhões, considerando o movimento de um grupo de países que inclui Brasil, África do Sul, Índia, Tailândia e Indonésia. As semanas anteriores também têm sido marcadas por fuga de recursos. Em novembro, os fluxos ficaram negativos em US$ 3,5 bilhões, incluindo ações e renda fixa, de acordo com dados ainda preliminares do IIF. Novembro foi o quarto mês dos últimos cinco em que os fluxos internacionais para os emergentes ficaram negativos, de acordo com o IIF em um relatório assinado pelos economistas Robin Koepke e Scott Farnham.

O IIF ressalta que o movimento que ocorre agora é similar ao visto pouco antes da reunião de setembro do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), quando também ocorreu retirada de recursos dos emergentes em meio à expectativa de aumento dos juros nos EUA. O movimento acabou sendo adiado pelo Fed, por conta de preocupações com o cenário externo mais adverso e possíveis impactos negativos na economia americana.

Desde a reunião de outubro do Fomc, as expectativas para a alta dos juros nos EUA em dezembro aumentaram significativamente, de acordo com o relatório. A probabilidade que os investidores atribuíam para a elevação este mês, considerando os contratos negociados no mercado futuro em Chicago, subiram de 35% no fim de outubro para 81,4% nesta terça-feira. “O forte aumento nas expectativas para a alta da taxa este mês parece ter sido um catalisador para uma maior redução (dos fluxos) em relação aos emergentes”, afirma o IIF.

Além das declarações dos próprios dirigentes do Fed sinalizando a intenção de elevar os juros agora, o IIF destaca que outro fator que contribuiu para o aumento das apostas foi a melhora de indicadores dos EUA, principalmente os do mercado de trabalho, com criação de vagas acima do previsto em outubro e novembro. Ao mesmo tempo, indicadores dos emergentes que costumam receber mais recursos externos vieram fracos e pouco contribuíram para mudar o humor dos investidores em relação ao cenários para essas economias.

Volatilidade. Os países emergentes que estão mais em risco com a efetiva elevação dos juros nos Estados Unidos tendem a ser Brasil, Turquia, Rússia e em alguma extensão a África do Sul, afirma a agência de classificação de risco Moody’s em relatório comentando o impacto da alta das taxas para a economia mundial. O aumento das taxas pode provocar volatilidade nos fluxos internacionais de capital, afirma o documento.

Esses países já vêm sofrendo com a queda dos preços das commodities, com a desaceleração da China e têm apresentado desafios importantes no mercado doméstico, com reflexos nas taxas de câmbio e no mercado financeiro. Além disso, essas economias possuem menos espaço de políticas econômicas para lidar com choques externos, de acordo com o relatório. A Moody’s destaca a queda do real e a piora das moedas de outros países, como Argentina, Turquia, Rússia e África do Sul, que em média acumulam desvalorização de 17% este ano.

A alta de juros nos EUA, prevista para ser anunciada hoje, no fim da reunião de dois dias dos dirigentes do Federal Reserve retira um componente de incerteza para os emergentes, mas alguns desses países, que se encontram com indicadores econômicos mais deteriorados, podem enfrentar volatilidade nos fluxos de capital, afirma a Moody’s.

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