Emergentes recusam proposta de países ricos sobre agrícolas

O grupo de países emergentes (G-20) anunciou hoje que não aceitará as propostas norte-americanas e européias de cortes de tarifas para produtos agrícolas na Organização Mundial do Comércio (OMC). O alerta foi dado a pouco mais de dois meses do prazo estabelecido para que os países entrem em um acordo sobre liberar o comércio internacional. "Somos coerentes e estamos coesos", afirmou o porta-voz do G-20, o embaixador brasileiro Luis Felipe de Seixas Correa. "Estamos chegando aos momentos finais e decisões precisam ser tomadas". Segundo ele, o bloco não fechará acordo que contenha a fórmula de redução tarifária proposta pelos Estados Unidos e Europa. "Essa proposta não responde ao mandato nas negociações", afirmou. De acordo acordo com o embaixador, a proposta foi "meticulosamente estruturada para acomodar os interesses" dos países ricos e não os obriga a colocar seus produtos agrícolas sensíveis na lista dos bens que seriam liberados para redução das tarifas.Apesar das críticas, o G-20 não apresentou formalmente uma alternativa. "Temos idéias, mas ainda não propostas", afirmou Seixas Correa, que alegou querer criar um ambiente de "nós (G-20) contra eles (Estados Unidos e Europa)". Uma dessas "idéias" seria um acordo que exigisse que taxas de importação mais altas teriam cortes mais profundos. Para Seixas Correa, o G-20 poderia apresentar a sugestão "a qualquer momento", mas não diante da intransigência dos países ricos. "Esperamos que nossos parceiros nos entendam e tragam alternativas", afirmou.A reação dos EUA e da Europa foi de lamento. Para a vice-presidente do Conselho National de Comércio Exterior, Mary Irace, entidade formada há quase 100 anos e que reúne as maiores empresas dos Estados Unidos, será difícil convencer os Estados Unidos a aceitarem um acordo "se países como o Brasil e Índia não abrirem seus mercados para produtos agrícolas". Um diplomata da União Européia que preferiu não ter o seu nome revelado disse apenas que "lamenta" a atitude do bloco. "Não sabemos o que eles (G-20) querem. Na realidade, não sabemos nem se eles sabem o que querem", afirmou.

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