Emergentes são bons locais para se investir, diz pesquisa

Executivos de todo o mundo continuam apostando nos emergentes como bons locais para expansão dos negócios, segundo pesquisa da PricewaterhouseCoopers divulgada nesta terça-feira, 23. Além dos Bric (Brasil, Rússia, India e China), foram citados o México, a Indonésia, o Vietnã, a Coréia e a Turquia. Mas o otimismo dos líderes empresariais vai muito além dessa avaliação.Noventa e dois por cento dos consultados se disseram confiantes em relação ao crescimento da receita nos próximos 12 meses. Os muito confiantes foram 52%, o dobro dos encontrados no levantamento de cinco anos atrás. Os mais entusiasmados são os chefes de companhias com receita acima US$ 10 bilhões, mas também os dirigentes de empresas pequenas e médias mostraram acreditar em boas perspectivas de expansão.Apesar do entusiasmo revelado, a maioria se mostrou conservadora quanto ao financiamento da expansão, com 79% indicando preferência pelo uso de recursos próprios. Os consultados puderam indicar mais de uma solução. Apenas 28% mencionaram a tomada de empréstimos - embora os juros, na maior parte do mundo, sejam muito mais baixos que no Brasil - e 18% citaram o mercado de ações.Para 57% dos consultados, a expansão dos negócios será proporcionada pelo ingresso em novos mercados, por fusões e aquisições e pela inovação de produtos e técnicas. O melhor aproveitamento de mercados já conhecidos com produtos já disponíveis foi citada por 23%.O possível esfriamento das principais economias aparece apenas em quinto lugar na lista das preocupações. A mais importante, citada por 73% dos entrevistados, é quanto ao excesso de regulamentação. O risco de regras conflitantes é parte desse risco.A disponibilidade de competências-chave aparece em segundo lugar, em 73% das declarações. A terceira maior fonte de temor é a competição dos produtores de baixo custo. Em seguida aparecem os preços da energia, os preços dos produtos básicos e o possível esfriamento das principais economias. No ano anterior, o excesso de regulação havia aparecido em 64% das respostas.Riscos políticosOs dirigentes de empresas parecem pouco preocupados com o terrorismo e outras classes de riscos políticos e ambientais. O terrorismo ficou em 11º lugar na lista, com 50% de executivos "um tanto preocupados" e "extremamente preocupados".Só 40% revelaram preocupação com o aquecimento global e a mudança climática (16º lugar). E quanto a esse item há uma ampla divergência entre executivos de regiões diferentes. Na Ásia-Pacífico, o assunto foi mencionado por 58% dos consultados. Na América do Norte, por apenas 18%. Curiosamente, na Ásia-Pacífico 80% apontaram a competição de baixo custo como um fator de risco para seus negócios, embora a região seja a maior fonte de produtos com essa característica.Outro dado curioso é que, embora os executivos tenham em geral defendido a globalização e a integração dos mercados, a maioria apontou os países vizinhos, em geral emergentes, como melhores lugares para investir.Durante a entrevista de apresentação da pesquisa, o executivo global da PricewaterhouseCoopers, Damuel A. DiPiazza, ouviu uma pergunta sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e sua possível influência na avaliação das perspectivas brasileiras. Deu a resposta esperada: não sabia da novidade. Talvez fique sabendo, nos próximos dias, pois será um dos temas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em suas apresentações no Fórum Econômico Mundial, nesta semana.

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