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Emergentes são principal motor do crescimento global, diz FMI

Segundo relatório do Fundo, países resistiram à crise financeira e fornecem as bases para crescimento em 2008

NALU FERNANDES, Agencia Estado

17 de outubro de 2007 | 11h22

Enquanto as economias avançadas mostram desaceleração, os países emergentes e os em desenvolvimento "resistiram à recente tempestade financeira e estão fornecendo as bases para um forte crescimento global em 2008", afirma o Fundo Monetário Internacional (FMI), no relatório Perspectiva Econômica Mundial (WEO, na sigla em inglês). "Os emergentes são agora o principal motor do crescimento global. China, Índia e Rússia responderam por metade do crescimento mundial no ano passado", diz o Fundo.  Veja também:Inflação de alimentos reflete uso de biocombustíveis, diz FMIÍntegra do relatório do FMI (em inglês)   O diretor do Departamento de Pesquisa do FMI, Simon Johnson, estima que a taxa de crescimento para os emergentes varia entre 8% e 12%. "Os países emergentes e os em desenvolvimento estão colhendo os benefícios de um gerenciamento macroeconômico cuidadoso ao longo da última década", de acordo com o relatório do FMI. Ao mesmo tempo, a projeção de crescimento para a economia mundial em 2008 foi revisada em 0,4 ponto porcentual, de 5,2% para 4,8%. O Produto Interno Bruto (PIB) projetado para 2007 permaneceu estável, em 5,2%. O documento credita a manutenção da projeção para 2007 ao crescimento "forte" na primeira metade do ano. Em relação a 2008, a redução é atribuída à turbulência nos mercados financeiros. Os riscos à economia global, na visão do Fundo, estão centrados na "preocupação de que a pressão no mercado financeiro possa deflagrar e aprofundar uma desaceleração global mais acentuada".  "A turbulência nos mercados financeiros turvou a perspectiva", observa o relatório. No entanto, apesar da redução da previsão para a taxa em 2008, a economia "permanece forte", disse Johnson, em vídeo divulgado junto com o relatório. O Fundo destaca que o ritmo de expansão acima de 5% caracteriza uma expansão "vigorosa". De acordo com o FMI, os bons fundamentos e o forte momento experimentado pelos mercados emergentes continuam dando suporte ao crescimento. No entanto, o FMI deixa a advertência de que os riscos à perspectiva econômica tendem "firmemente" para um crescimento menor.   Além da preocupação com a turbulência financeira, a lista do FMI para riscos ao crescimento inclui ainda pressões inflacionárias, preços de petróleo voláteis e o impacto de forte fluxo de capital para os mercados emergentes. "Permanecem riscos significativos à perspectiva. Os preços do petróleo estão elevados. Há alguns problemas financeiros residuais e, claro, há sempre o risco de inflação", diz Johnson.  O executivo destaca que o aumento nos custos dos alimentos no globo atinge, particularmente, os mercados emergentes e países em desenvolvimento. "Não acreditamos que irá se tornar inflação generalizada. As políticas monetária e fiscal têm sido muito cuidadosas diante do aumento destes custos de alimentação", acredita o analista. A forte entrada de capital internacional também deve continuar complicando a tarefa dos bancos centrais de países emergentes. "A recente elevação de fluxo de capital privado para os mercados emergentes tem sido, particularmente, dramática", diz o Fundo. Em dólares, os fluxos brutos subiram nos últimos anos para níveis vistos antes da crise da Ásia. Brasil Para o Brasil, o Fundo manteve a previsão de crescimento de 4,4% neste ano mas reduziu, porém, o PIB projetado para 2008: de 4,2% para 4,0%. De acordo com o documento, o FMI avalia que o "crescimento no Brasil está acelerando em 2007 em resposta à flexibilização monetária depois que a inflação foi enquadrada nas metas do BC, mas deve desacelerar em 2008". Em 2006, o FMI registrou taxa de crescimento de 3,7% para o PIB brasileiro. Para o Hemisfério Ocidental, que abrange América Latina e Caribe, o documento prevê crescimento de 5,0% em 2007 e 4,3% em 2008, este último 0,1 ponto porcentual abaixo do nível projetado anteriormente. Em 2006, estima o Fundo, o crescimento da região foi de 5,5%.China e Índia, por sua vez, terão ela primeira vez as maiores contribuições para o crescimento mundial segundo o conceito de poder de paridade de compra (PPP). A China também representa a maior contribuição quando o crescimento é mensurado em preços de mercado, reitera o Fundo. A projeção do Fundo indica taxa de crescimento para a China em 11,5% neste ano e 10% em 2008. O primeiro revisado em alta de 0,3 ponto porcentual e o segundo, em baixa de 0,5 ponto porcentual, ante as projeções de julho. Para a Índia, o Fundo prevê crescimento de 8,9% em 2007 e 8,4% em 2008. A Rússia, estima o FMI, deve crescer a uma taxa de 7% em 2007 e 6,5% em 2008. Para a Ásia emergente, a projeção é de crescimento de 9,2% neste ano e de 8,3% em 2008. A projeção para o crescimento agregado dos países emergentes e em desenvolvimento é de 8,1% em 2007 e de 7,4% em 2008, esta última tendo sido revisado em baixa de 0,2 ponto porcentual. Os Estados Unidos foram o país com a redução mais significativa no PIB projetado para 2008, num total de 0,9 ponto porcentual, para 1,9%. Essa previsão também vale para o crescimento norte-americano em 2007, segundo o FMI. Para a zona do euro, o Fundo projeta crescimento de 2,5% em 2007 e 2,2% em 2008. Para o Japão, as projeções indicam taxa de 2,0% neste ano e de 1,7% no próximo.

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