Emergentes têm destaque no plano de executivos

Preocupação com os governos endividados faz contraponto com o otimismo dos 1291 dirigentes entrevistados em 69 países

Rolf Kuntz, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2011 | 00h00

Executivos de todo o mundo voltam a apostar na expansão dos negócios, depois de se ocupar durante dois anos, principalmente, com a sobrevivência, segundo pesquisa da PricewaterhouseCoopers (PwC) com 1201 dirigentes de empresas (CEOs)de 69 países.

O otimismo quase voltou ao nível de antes da crise: 48% se disseram muito confiantes no crescimento da atividade nos próximos 12 meses, de acordo com entrevistas conduzidas no trimestre final de 2010. Em 2007, quando começou o estouro da bolha de crédito, 50% deram essa resposta. O grupo dos otimistas encolheu para 21% em 2008 e não passou de 31% no ano passado.

A disposição melhorou de forma geral, mas é mais acentuada nos países emergentes e muito menos na Europa Ocidental, onde os alemães aparecem como a exceção. Mas a confiança dos dirigentes de empresas do mundo rico depende em boa parte da expectativa de ganhar dinheiro nos países em desenvolvimento. O país mais importante para o crescimento será a China, segundo 39% dos CEOs. Os Estados Unidos ficaram em segundo lugar, com 21% das citações, o Brasil em terceiro, com 19%, e a China em quarto, com 18%.

O maior envolvimento com os emergentes é uma das mudanças estratégicas apontadas pelos dirigentes como parte de suas novas políticas. A inovação também deve ter um papel central, e também, nesse caso, poderá haver uma nova orientação. Passar a produzir tecnologia mais voltada para os mercados "locais", incluídos os emergentes, é uma das tendências captadas pela pesquisa.

"A economia pós-recessão está-se recuperando em dois níveis. Economias emergentes como China, Índia e Brasil crescem a taxas muito maiores que as dos países desenvolvidos. A mudança no equilíbrio de poder impõe aos CEOs o desafio de decidir quando e onde investir em instalações, pessoas e inovação. Companhias capazes de entender e de capitalizar os padrões divergentes de crescimento das economias desenvolvidas e emergentes serão as vencedoras nos próximos anos", disse o presidente da PwC, Dennis M. Nally.

"Qualquer companhia industrial, se quiser ser líder global, deve ter uma ampla presença em mercados emergentes", avaliou Ed Breen, presidente e CEO do conglomerado americano Tyco International, um dos grupos incluídos na pesquisa.

Vantagens. Quando se trata, no entanto, de pesar as vantagens comparativas dos países fornecedores, dois países desenvolvidos aparecem na lista dos cinco primeiros colocados. A China aparece em primeiro lugar, seguida por EUA, Índia, Alemanha e Brasil. A vantagem chinesa decorre, principalmente, de sua liderança em matéria de custos. O principal atributo da economia americana é a inovação. A da Alemanha, a qualidade.

O entusiasmo com os países em desenvolvimento vai além das economias maiores e mais avançadas na industrialização. O crescimento não está limitado ao Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) e a alguns poucos países em desenvolvimento, mas tem-se espalhado também por outras áreas, incluída a África. E o interesse, de acordo com o relatório, não é restrito ao aproveitamento de matérias-primas.

O otimismo é temperado com algumas preocupações. Pela da primeira vez, os problemas fiscais das economias desenvolvidas apareceram no alto da lista. O crescimento nos próximos anos dependerá em grande parte de como os governos vão cuidar de suas contas e enfrentar o problema do alto endividamento. Os CEOs americanos dão como quase certo um aumento de impostos para ajudar no reequilíbrio das finanças oficiais. O excesso de regulação continua entre os principais fatores de risco. Mas há uma novidade de outro tipo na avaliação de como empresas e governos poderão relacionar-se nos próximos anos: há interesses partilhados - como a arrumação financeira - e os governos podem contribuir de forma importante para atender a uma das principais carências apontadas pelos entrevistados - a de mão de obra de alta qualidade.

Essa foi a 14.ª pesquisa anual da PwC sobre as expectativas de executivos de todo o mundo. A divulgação do resultado, com uma entrevista do presidente do grupo, normalmente antecede a abertura da reunião do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça.

ROLF KUNTZ, EXCEPCIONALMENTE, DEIXA DE ESCREVER HOJE SUA COLUNA SEMANAL

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