Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Países emergentes têm US$ 3 trilhões de endividamento em excesso, afirma FMI

Relatório também chama atenção para os riscos das carteiras dos fundos de investimento, que podem ter alavancagem de US$ 1,5 trilhão por meio de derivativos

Altamiro Silva Junior, enviado especial, O Estado de S. Paulo

07 de outubro de 2015 | 12h03

LIMA - Os riscos para a estabilidade do sistema financeiro mundial melhoraram nos países desenvolvidos, mas continuam migrando para os mercados emergentes. O documento "Estabilidade Financeira Global" estima que os emergentes têm US$ 3 trilhões em dívidas em excesso. Além desse endividamento excessivo, o FMI chama atenção para os riscos das carteiras dos fundos de investimento. O estudo conclui que os fundos podem estar com uma alavancagem embutida de US$ 1,5 trilhão por meio de derivativos.

O documento menciona que o apetite por risco dos investidores diminuiu e ainda há preocupações renovadas sobre a liquidez do sistema financeiro, principalmente no mercado de bônus. "A mensagem é que a estabilidade financeira global não está ainda garantida e os riscos de piora prevalecem", afirma o diretor do Departamento de Assuntos Financeiros do FMI, José Viñals, que recomenda "medidas urgentes" dos governos para reduzir riscos.

"A maior alavancagem do setor privado e a maior exposição a condições financeiras globais deixaram as empresas mais suscetíveis a crises econômicas, e os mercados emergentes mais suscetíveis às saídas de capitais e deterioração da qualidade de crédito", afirma o diretor do FMI.

O relatório do FMI destaca que a China tem que lidar com a transição de sua economia, antes mais baseada em exportações e investimento, para outra mais dependente de consumo, ao mesmo tempo em que precisa monitorar o alto endividamento de suas empresas.

Mesmo nos países desenvolvidos, em que os riscos para o sistema financeiro se reduziram, o FMI alerta que os legados da crise ainda precisam ser resolvidos. Na zona do euro, por exemplo, permanece "crítico" que os governos lidem com vulnerabilidades no sistema bancário. Nos Estados Unidos, o processo de elevação dos juros pode ter efeitos em toda economia mundial e vai marcar um processo de transição para os mercados globais.

Erros de política econômica e/ou choques adversos podem levar a "prolongados períodos" de turbulência nos mercados financeiros que podem até paralisar a expansão da economia mundial, de acordo com o documento do FMI. Uma "normalização mal sucedida", calcula o FMI, iria custar um terço do crescimento mundial até 2017. 

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