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Emergentes terão cargos no FMI, diz Sarkozy

Francês admite que outras nomeações para o Fundo considerem a origem dos escolhidos

Andrei Netto, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2011 | 00h00

Um dia depois do lançamento da candidatura de Christine Lagarde à direção do Fundo Monetário Internacional (FMI), o presidente francês, Nicolas Sarkozy, admitiu que o conselho de administração do FMI faça concessões aos emergentes. Em compensação pela eventual eleição de sua ministra de Economia, o chefe de Estado sugeriu que outras nomeações no comando do Fundo deverão levar em conta a nacionalidade do escolhido.

Questionado pelo Estado durante a reunião de cúpula do G-8, em Deauville, Sarkozy abriu espaço para que os países em desenvolvimento reivindiquem os cargos de direção, sem indicar se se referia à função de diretor-gerente adjunto ou de economista-chefe da instituição.

Indagado sobre se poderia assegurar que um europeu não seria sucessor de Christine Lagarde a partir de 2016, em caso de sua eleição, o presidente evitou responder. Na quinta-feira, a candidata europeia, também questionada pelo Estado, havia desconversado sobre a garantia.

Há dois dias, o ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, afirmou em Brasília que a candidatura de Christine Lagarde deveria vir acompanhada do compromisso de que o diretor-gerente seguinte não seria, mais uma vez, proveniente da Europa.

Crise na Europa. Segundo Sarkozy, diante da crise das dívidas soberanas da Grécia, da Irlanda e de Portugal, o mais oportuno é que um líder político oriundo da União Europeia exerça o cargo, em substituição ao também francês Dominique Strauss-Kahn, acusado de violência sexual em Nova York. "Nós acreditamos que o mais adaptado seja que o diretor-gerente do FMI seja um europeu", reiterou.

O presidente argumentou ainda que os países da Europa cederam direitos de voto aos países emergentes em recente reforma no conselho de administração do Fundo. "Quem obteve a modificação de direitos de voto, em especial para a China? Foi sacrifício de quem? Em especial, dos europeus. Creio que 5% foram tomados da Europa em favor dos países emergentes. E foi justo", destacou.

A seguir, Sarkozy fez a concessão. "É certo que, ao final do processo (eleitoral), se forem ocorrer outras nomeações no FMI, será certamente necessário levar em consideração a nacionalidade, a origem do novo diretor-geral", afirmou o presidente francês, completando: "É evidente. O multiculturalismo deve se aplicar ao FMI, como a todas as outras organizações internacionais".

Cúpula. Apesar de ter abordado o assunto, Sarkozy afirmou que a candidatura de Christine Lagarde não foi objeto de discussões no primeiro dia de reuniões de cúpula do G-8 - o grupo formado por líderes dos Estados Unidos, Japão, Canadá, Alemanha, França, Reino Unido e Itália, mais a convidada Rússia. "Não é no G-8 que decidimos sobre a nomeação do diretor-gerente do FMI. O G-8 não é o diretório do mundo nem tem essa vocação", justificou.

Entretanto, o próprio presidente admitiu que as negociações para a sucessão no Fundo foram, sim, tratadas entre os líderes, em reuniões bilaterais - que não são consideradas parte do G-8. "Se disser que não falamos, vocês não acreditariam e teriam razão. Mas falar em reunião bilateral e falar em uma reunião de um órgão que não é legítimo para tal (o G-8) são coisas diferentes", ponderou.

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