Emergentes viram 'porto seguro' após Dubai, afirma 'FT'

Para jornal britânico, investidores 'rasgam regras do passado' e buscam segurança em papéis de China e Brasil

BBC Brasil, BBC

01 de dezembro de 2009 | 07h39

Uma reportagem publicada na edição desta terça-feira, 1, do jornal britânico Financial Times afirma que, diferentemente do passado, os títulos de países emergentes, como o Brasil, viraram "porto seguro" para investidores preocupados com uma possível rodada de calotes soberanos motivada pela crise em Dubai.

 

Veja também:

linkGoverno de Dubai contradiz BC e diz que não vai garantir dívida

linkTrês maiores bancos do Brasil negam exposição a Dubai

linkANÁLISE: Empresa era a joia da coroa de Dubai

linkBrasil não será afetado, diz Meirelles

especialAs lições de Dubai para o quadro da economia global

blog JOSÉ PAULO KUPFER: Pé na jaca especulativo explica calote em Dubai

 

No artigo, intitulado "Investidores rasgam as velhas regras de comportamento", o influente diário financeiro observa que "a regra de vender os ativos de países emergentes e comprar os de países desenvolvidos, mais seguros, virou de ponta cabeça após a suspensão do pagamento da dívida (anunciada) pelo emirado na semana passada".

"Os títulos de países emergentes, como China e Brasil, têm visto entradas de investimentos na medida em que são considerados pelos investidores como portos seguros dada a saúde de suas finanças públicas." Para o FT, "isto, mais que nada, sublinha uma mudança na dinâmica da economia global".

Por causa de seus "baixos níveis de endividamento e gerenciamento econômico prudente", prossegue o artigo, muitas economias emergentes "combateram a crise financeira de maneira muito mais eficiente que as nações mais ricas".

O artigo compara os níveis de endividamento de Brasil e China (46% e 65% em relação ao PIB, respectivamente) com o de Grécia e Irlanda (que devem atingir 111% e 80%). Os dois países europeus têm sido citados como os mais vulneráveis a possíveis sobressaltos financeiros motivados por falta de confiança em suas finanças.

Segundo o FT, o Japão é o país com maior relação dívida/PIB - 200%. Já nos EUA e na Grã-Bretanha, essa relação é de 97% e 89%, respectivamente. "Novamente, a velha regra de que as economias emergentes são mais arriscadas que as desenvolvidas tem sido rompida nos mercados", diz o jornal.

"Investidores consideram que Grécia e Irlanda apresentam mais risco de dar um calote em seus títulos que a China, Brasil, Polônia e China", afirma o artigo, notando, no caso chinês, que os riscos na maior economia emergente do mundo não são maiores, por exemplo, que na Grã-Bretanha.

 

BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.