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Emissão de CRA recua, mas deve reagir em 2019

Até agosto deste ano, a agropecuária já levantou quase R$ 3 bilhões por meio desses títulos

Broadcast Agro*, O Estado de S. Paulo

24 Setembro 2018 | 05h00

O juros mais baixos e o cenário eleitoral indefinido afastam investidores dos Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA). Neste ano, até agosto, a agropecuária levantou, por meio desses títulos, R$ 2,99 bilhões em recursos, 54% menos que nos oito meses de 2017. Fontes explicam que o papel ficou menos atrativo para investidores por causa da queda da taxa básica de juros. Além disso, a regulamentação do título, editada pela Comissão de Valores Mobiliários, tem gerado dúvidas no mercado – a CVM deve divulgar esclarecimentos.

A virada pode vir em 2019, já que a tendência é de que os juros voltem a subir e a agropecuária continue crescendo. O interesse na emissão não virá exclusivamente de empresas gigantes do setor, mas também de agricultores de porte, que continuam a emitir os certificados para financiar a própria safra. Os especialistas preferem não arriscar números de desempenho do CRA no próximo ano, mas Renato Barros Frascino, diretor da securitizadora Gaia Agro, reforça o cenário de recursos cada vez mais restritos ao crédito rural como impulsor deste mecanismo de financiamento. “A demanda dos produtores por esse título deve ser crescente”, afirma.

Novatos. Moacir Teixeira, sócio da Ecoagro, outra empresa com forte atuação em CRAs, também prevê incremento em 2019. Segundo ele, haverá mais operações de valor menor, mas não aumento significativo do total. Ele espera emissões de CRA por grandes produtores, revendas de insumos, cooperativas e empresas médias.

Atentos. Ciente do movimento, a consultoria INTL FCStone contratou um executivo para promover o CRA como opção de crédito. Entre seus clientes está Walter Horita, um dos maiores produtores de algodão do Brasil, que concluiu sua quinta operação com o título – a primeira para custear a safra da pluma. “Um médio e grande produtor tem que procurar várias alternativas de financiamento, nenhuma elimina a outra”, diz. Para Horita, à medida que agricultores conquistem a confiança dos investidores, o custo do financiamento via CRA deve diminuir. A XP Investimentos é outra empresa debruçada sobre o tema: espera concluir até dez emissões de CRA nos próximos três meses. 

Sêmen 100%. A Alta Genetics, companhia de melhoramento genético na pecuária, acaba de investir

R$ 500 mil para trazer ao Brasil uma detalhada tecnologia de avaliação celular do sêmen utilizado para inseminação artificial de bovinos. Com a nova técnica é possível constatar, com mais precisão, a qualidade do sêmen e a sua eficácia em fertilizar os óvulos. Denominada “Citometria de Fluxo”, a solução é aplicada pelas unidades da Alta Genetics no Canadá, nos Estados Unidos, na China e na Holanda. 

O retorno. Nos próximos dois anos, serão retomados investimentos, fusões e aquisições (M&A) de empresas do agronegócio, acredita o advogado Álvaro Gallo, da Trench Rossi Watanabe. Neste ano, a movimentação foi fraca devido à crise econômica no País. Além disso, as eleições retardaram alguns processos. O escritório trabalha em ao menos cinco negócios de M&A que devem ser finalizados em 2019. Gallo prevê que empresas de açúcar e álcool, grãos e frigoríficos vão se consolidar em grupos maiores.

Mais uma? Gerou polêmica uma proposta apresentada no grupo de WhatsApp do Ministério da Agricultura para receber demandas do setor ao Programa Agro+. O coordenador do projeto, Ricardo Cavalcanti, sugeriu a criação do Fórum Nacional de Defesa do Agronegócio (Fonagro), que seria mais uma associação representativa do setor. “Entendo que esse grupo é temporário até que consigamos articular esse grande ente do agronegócio brasileiro”, defendeu ele.

Tô fora. Mas o clima esquentou quando Cavalcanti enviou aos membros do grupo – 194 até agora – a proposta de minuta do estatuto do Fonagro. Surgiram questionamentos sobre como seria a cobrança de contribuição mensal para a manutenção dessa entidade e até mesmo da necessidade de mais uma associação para o setor. Os descontentes não perdoaram. “Por que CNPJ? Surge uma empresa, uma entidade? Nesse formato, estou fora”, criticou o ex-ministro e presidente executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra.

Fértil. O crescimento anual de 20% das vendas de alimentos orgânicos no Brasil levou a produtora de adubos Yoorin a criar uma estratégia exclusiva para este mercado. Atualmente, 10% do faturamento da empresa vem de vendas para o setor, mas a meta é chegar a 30% em cinco anos, de acordo com Carolina Cavalcante, diretora de Marketing. Foram contratados vendedores exclusivos para o segmento e está sendo ampliada a rede de distribuição na Bahia, São Paulo e Sul do Brasil. 

Expansão. A Yoorin quer também exportar seus produtos à base de fósforo e potássio para produtores orgânicos de outros países, como Argentina e Austrália. Carolina diz que a companhia vai triplicar sua produção de potássio no ano que vem em Poços de Caldas (MG). “O desafio do setor é encontrar insumos de qualidade e com constância na oferta. Nossos maiores concorrentes são os fertilizantes caseiros”, explica.  

*Com Letícia Pakulski e Nayara Figueiredo.

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