Emissão de debêntures é opção para empresas

As conseqüências econômicas dos atentados terroristas aos Estados Unidos criaram dificuldades ao mercado de debêntures, mas não paralisaram as operações. Com a inércia do cenário externo, que se fechou para lançamentos de empresas de países emergentes, o ambiente doméstico passou a ser a melhor opção para as companhias que precisam de recursos.Desde 11 de setembro, dia dos ataques aos EUA, sete pedidos de lançamento de debêntures deram entrada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Entre eles, há megaoperações como a de R$ 2,9 bilhões em papéis não conversíveis da NovaMarlim Petróleo e a de R$ 600 milhões, também de títulos simples, da Itaú Leasing. No momento, estão em análise na CVM 14 lançamentos, no valor de R$ 6,043 bilhões.O volume de recursos já captados em 2001 é ainda mais expressivo. O montante de registros até outubro, de R$ 9,133 bilhões, ultrapassou o de todo o ano passado (R$ 8,748 bilhões). O volume só perde para o de 1998, quando foram lançados R$ 9,657 bilhões em papéis privados.O gerente de crédito de renda fixa da Sul América Investimentos, Lauro Campos, avalia que muitas empresas procuram o mercado nesse período instável por causa da necessidade de rolar dívidas e reduzir o passivo em dólar. É o caso de Petróleo Ipiranga e MRS Logística, por exemplo.A operação da Ipiranga ainda não entrou na CVM, mas a companhia já convocou assembléia de acionistas para aprovar a emissão de R$ 250 milhões em debêntures simples, para melhorar o perfil do seu endividamento. O lançamento de R$ 700 milhões da MRS tem como objetivo reduzir o porcentual da dívida da empresa indexado ao dólar.Campos disse que outras companhias decidem ir ao mercado para financiar investimentos que não podem ser postergados. Uma das operações da NovaMarlim, por exemplo, de R$ 156 milhões em debêntures conversíveis em ações, será utilizada para viabilizar a expansão da produção do Campo de Marlim, no Rio.De acordo com o diretor de Corporate Finance do BankBoston, Marcos Camargo, o fluxo de capital externo para o Brasil tornou-se mais restrito após os atentados aos EUA e as empresas ficaram com menos opções.Para Vinícius de Queiroz, diretor de mercado de capitais do Citibank, o ambiente doméstico também ficou mais seletivo após os ataques, apesar das inúmeras operações de debêntures em andamento.

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