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Emissão do BNDES no exterior teve demanda de US$ 6 bi

A emissão de US$ 1,5 bilhão em títulos no exterior pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), concluída há uma semana, teve demanda de US$ 6 bilhões. Com essa emissão, o banco encerrou as captações externas neste ano. Desde janeiro, o BNDES levantou US$ 3,2 bilhões no exterior, incluindo uma operação em euros (equivalente a US$ 900 milhões) e captações institucionais com bancos japoneses (US$ 800 milhões).

VINICIUS NEDER, Agencia Estado

14 de abril de 2014 | 18h13

"Nossas necessidades foram inteiramente cobertas com essas operações. A gente pode eventualmente fazer alguma coisa pontual para aproveitar uma oportunidade", afirmou o superintendente da Área Internacional do BNDES, Sergio Foldes.

Por isso, o BNDES não aproveitou a demanda de US$ 6 bilhões para levantar mais recursos. Segundo Foldes, o valor de US$ 1,5 bilhão era o teto autorizado pela Diretoria do banco.

Ano passado, em setembro, foram captados US$ 2,5 bilhões, permitindo ao Tesouro Nacional diminuir um pouco o volume de aportes para financiar o banco de fomento - foram R$ 24 bilhões no repasse confirmado em novembro último, somando R$ 39 bilhões em 2013.

Para este ano, o patamar de US$ 2,5 bilhões já está atendido. No entanto, segundo Foldes, isso não permitirá reduzir tanto os aportes do Tesouro em 2014. A questão, segundo o superintendente do BNDES, é que os recursos captados no exterior são voltados exclusivamente para operações de comércio exterior e empréstimos às multinacionais brasileiras para projetos lá fora.

Sem precisar ir além do US$ 1,5 bilhão, o BNDES aproveitou a demanda elevada para reduzir os juros. A captação da semana passada foi em dois tipos de títulos: um com vencimento em 2019, com taxa de 4,054%, outro com vencimento em 2023, com 5,322%. O custo médio de 4,48% ao ano é a menor taxa já paga pelo banco numa emissão em dólares, segundo o BNDES.

Para Foldes, a demanda se explica porque investidores internacionais já estão diferenciando o Brasil de outros países emergentes com fragilidades na economia, após uma fase de pessimismo exagerado e infundado. Além disso, o cenário para os mercados financeiros internacionais melhorou com as sinalizações, por parte do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA), de que a redução das medidas de estímulo à economia seria mais lenta.

"Um conjunto de investidores, e os bancos também, começou a ver que, na verdade, o Brasil estava descolado desse conjunto de outros emergentes, os chamados `Fragile Five'' (cinco frágeis), pois tem condições macroeconômicas muito mais robustas e, mais do que isso, o Brasil ficou muito barato", completou o executivo, referindo-se ao grupo formado por Brasil, Índia, Turquia, Indonésia e África do Sul, classificado em relatório do banco Morgan Stanley como os mais frágeis perante a economia internacional.

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