Emissões brasileiras de bônus 'Panda' podem chegar a US$ 30 bi em 2012

Em busca de novos investidores para ampliar a demanda por seus títulos de dívida, empresas e bancos brasileiros devem estrear em 2012 o quase inexplorado mercado de bônus corporativos denominados em yuan, ou renminbi como também é chamada a moeda chinesa, e cuja demanda potencial para essas emissões é calculada entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões.

FÁBIO ALVES , O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2011 | 03h09

Conhecidos como bônus Panda, se emitidos na China continental, ou bônus Dim Sum (o pastelzinho chinês), se emitidos em Hong Kong, esses papéis têm uma base de investidores em rápida expansão, não somente pelo volume de recursos disponíveis pelos chineses para aplicar, mas também pela crescente procura pelos investidores globais por ativos denominados na moeda da segunda maior economia mundial, como forma de compensar a atual fraqueza do dólar e do euro e o viés de baixa nos ratings de emissores soberanos e privados de países desenvolvidos.

Entre os emissores de países emergentes, o banco russo JSC VTB Bank foi o primeiro a captar na China com uma operação, em dezembro do ano passado, de 1 bilhão de yuan, ou o equivalente a US$ 150 milhões, com vencimento em 2013. Já na América Latina, a empresa de telefonia celular mexicana America Movil está prestes a ser o primeiro emissor a acessar esse mercado com a venda de bônus Dim Sum. Será uma emissão de 1,9 bilhão de yuan, ou o equivalente a US$ 300 milhões, com vencimento em 2016. A empresa realizou recentemente uma série de apresentações para investidores interessados na operação, que recebeu rating A2 pela agência de classificação de risco Moody's.

Derivativos. "Acho que em 2012 esse mercado vai abrir para emissores brasileiros", disse Alexei Remizov, diretor-gerente de mercado de capitais do HSBC em Nova York. Isso porque, segundo Remizov, deverá haver, ao longo do próximo ano, um aperfeiçoamento de instrumentos de derivativos, como os contratos de swaps, que permitam às empresas ou bancos que façam emissão em yuans protegerem-se do risco cambial, com um hedge em dólar, por exemplo.

Até o momento, a falta de contratos "swaps" eficientes para eliminar o risco cambial, na opinião do executivo do HSBC, inibiu as operações de bônus Panda ou Dim Sum de emissores brasileiros. Sem esses instrumentos, seria apenas possível a emissão por empresas ou bancos que já tivessem um "hedge" natural, ou seja, receitas ou despesas em yuan, disse Remizov.

As primeiras emissões brasileiras em yuan deverão ser pequenas, de no máximo US$ 300 milhões, disse Remizov: "Qualquer emissão terá como objetivo ser uma colocação estratégica, isto é, para abrir mercado." Além disso, a demanda atual dos investidores chineses é para papéis com prazo de dois a cinco anos.

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