Emissoras de TV estão divididas sobre financiamento do BNDES

As emissoras de televisão apresentaram-se divididas em relação ao projeto de financiamento do BNDES à mídia, durante o debate sobre o assunto, que está sendo realizado na Comissão de Educação do Senado. Enquanto os representantes da Rede Globo e TV Bandeirantes defenderam a proposta em exame no banco, dirigentes do SBT, da Rede TV e da Record criticaram a forma como o financiamento poderá ser concedido. O presidente do SBT, Luiz Sandoval, disse que todo setor necessita do financiamento, mas acha que ele deve ser dirigido apenas para investimento e não para o pagamento de dívidas passadas. "O BNDES tem que ser um banco de fomento para estimular investimento", disse Sandoval. Ele acusou a operação de estar dirigida para financiar a dívida da Rede Globo, resultante das suas operações com TV a cabo, e disse que o grupo não precisa dessa ajuda, já que teria obtido em 2003 um lucro de R$ 600 milhões. "Uma empresa que tem lucro de 600 milhões não precisa de ajuda financeira", disse. O presidente da TV Record, Denis Munnhoz, acusou ainda a Globo de ter prática monopolista, que acabou agravando sua situação financeira. Ele citou o caso das copas do mundo, que até 1998 tinham transmissão dividida entre as emissoras brasileiras, com a repartição do custo de US$ 10 milhões. A partir de 2002, no entanto, a emissora teria obtido exclusividade, mediante o pagamento de uma cota de US$ 220 milhões, em conjunto com uma empresa alemã. "É necessário buscar a origem do endividamento, pois seu tamanho é proporcional à prática monopolista", acusou. O presidente da Rede TV, Marcelo Carvalho Fragalli, também criticou a possibilidade de a Globo usar os recursos para o pagamento de dívidas. "O dinheiro deveria servir para comprar equipamentos para produzir conteúdo e para construir cenários". Segundo ele a Globo detém 80% das verbas publicitárias, embora detenha apenas 50% da audiência. Esse descompasso, segundo Fragalli, dificulta os investimentos das demais emissoras.

Agencia Estado,

24 Março 2004 | 11h54

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