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Empatia e humildade estão na largada da corrida pelas soft skills, dizem especialistas

André Miceli e Susanne Andrade, convidados da live Sua Carreira, destacaram que o autoconhecimento é muito importante nesse processo; entrevista faz parte do projeto multiplataforma homônimo do 'Estadão'

Marina Aragão, O Estado de S.Paulo

27 de outubro de 2020 | 18h56

O mundo da transformação digital trouxe, por incrível que pareça, uma maior valorização no mercado de trabalho das habilidades mais humanas possíveis. A empatia, unida com a colaboração, e a humildade, atrelada à vontade de aprender, estão no ranking das tão desejadas e essenciais soft skills - habilidades comportamentais e não técnicas. Para falar do assunto, o Estadão convidou nesta terça-feira, 27, André Miceli, expert em tecnologia e coordenador de MBA da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ), e Susanne Andrade, coach e autora de O Poder da Simplicidade no Mundo Ágil: Como Desenvolver Soft Skills e Aplicá-las.

De acordo com os entrevistados, as empresas que fazem sucesso atualmente têm profissionais capazes de se colocar no lugar do outro, interpretar o desejo do mercado, e construir o produto que o cliente quer - não aquele que a empresa acha que ele deva ter. Tudo isso realizado com apoio mútuo, sem constrangimento para pedir ajuda ou perguntar o que ainda não sabe. Os especialistas participaram da live Sua Carreira ao vivo, que faz parte do projeto multiplataforma homônimo do Estadão. O bate-papo teve moderação de Carla Miranda, editora de Inovação do jornal.

Segundo os especialistas, antes de tentar desenvolver qualquer habilidade emocional, os profissionais devem se autoconhecer. Ou seja, resiliência, criatividade, adaptabilidade e retórica são soft skills muito desejadas, mas que não devem ser aprendidas sem propósitos bem definidos para o seu negócio ou ambiente de trabalho. “A partir disso, é necessário identificar quais habilidades a pessoa já tem e, daí, identificar o que é preciso desenvolver. E não é algo linear: é sutil e sistêmico”, explicou Susanne.

Miceli complementou ao dizer que todos nós temos pontos fracos e o profissional pode trabalhar para atenuá-los. No entanto, segundo ele, é mais importante priorizar o desenvolvimento das habilidades nas quais a pessoa já tenha uma maior aptidão. “O autoconhecimento permite a priorização das habilidades que serão desenvolvidas, sabendo que algumas continuarão sendo pontos fracos e isso não necessariamente será um problema”, disse.

Ao falarem dos bem-sucedidos empresários da tecnologia Steve Jobs, Bill Gates, Mark Zuckerberg, os entrevistados destacaram que a solução para a minimização dos pontos fracos é a formação de uma equipe que se completa. Não é possível olhar para pessoas como eles como heróis 100% infalíveis e autossuficientes, disse Susanne. Segundo ela, o sucesso das grandes empresas passa pela composição de uma “equipe de alta performance”, com profissionais com soft skills variadas, e pela “gestão mais horizontal” - ou seja, as decisões são compartilhadas entre os diversos funcionários.  

Transportable skills

Outro conceito abordado pelos entrevistados foi o de transportable skills. Estas são habilidades que o profissional consegue “transferir” e utilizar em diversos cargos que possa ocupar ao longo da vida. Dessa forma, as ferramentas precisam estar/ser da própria pessoa e não da posição que ela ocupa. “É preciso flexibilidade, uma abertura para aprender novas skills. Tem a ver com habilidade do aprender a aprender”, destacou Susanne.

Já Micelli citou a importância de habilidades que nasceram da tecnologia, mas podem ser amplamente utilizadas em outras atribuições: competências associadas a estruturação, raciocínio lógico e sistematização de processos. “A habilidade de olhar para um processo, criar padrões e entender como é possível otimizar isso é uma habilidade transferível”, explicou. Segundo eles, pessoas que possuem uma habilidade muito técnica ou específica de uma determinada função têm se tornado exceção. Para as que ainda insistem em não ampliar os horizontes, Susanne disse que o importante é não ter medo, mas além disso, entender que “o mundo mudou e eu preciso mudar também”.

Uma oportunidade de se renovar, inclusive, veio com a pandemia do novo coronavírus. Para os entrevistados, as mudanças trazidas pela covid-19 aceleraram os processos de colaboração e gestão horizontal dentro das organizações. “As habilidades soft skills já estavam na pauta. Mas os gestores não tinham parado para colocar nas suas equipes. Quando o mundo inteiro virou um YouTube em potencial, não teve jeito”, brincou Miceli.

Para Susanne, a pandemia serviu para que os profissionais reduzissem o ritmo e olhassem para si e para os outros “com mais humildade”. “Quanto mais concectar ser humano com ser humano: esse vai ser o diferencial para qualquer profissão.” 

As lives anteriores discutiram os seguintes temas: o que as empresas querem dos futuros funcionários; qual empresa quero para a minha carreira; longevidade no mercado de trabalho e empreendedorismo

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