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Empreendedor vira termômetro da atividade econômica

IC-PMN, índice que mede a confiança de pequenos e médios empresários, consegue antecipar altos e baixos da economia

LUIZ GUILHERME GERBELLI, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2014 | 02h02

A confiança do pequeno e médio empresário pode ser um bom antecedente do desempenho da economia. Um estudo feito pelo Insper correlacionou pela primeira vez a confiança desses empresários ao desempenho dos indicadores macroeconômicos do Brasil.

O estudo apontou que a subida do Índice de Confiança do Empresário de Pequenos e Médios Negócios no Brasil (IC-PMN) antecipa uma melhora de diversos indicadores como Produto Interno Bruto (PIB), investimento, consumo, IBC-Br e produção industrial. Se o contrário ocorrer, ou seja, no caso da piora do indicador, essas variáveis macroeconômicas tendem a piorar.

O IC-PMN é apurado trimestralmente e começou a ser calculado em 2008, com os primeiros resultados divulgados no ano seguinte. O último levantamento publicado no fim do junho mostrou os empresários menos otimistas em relação ao terceiro trimestre. A confiança caiu para 63,3 pontos, um recuo de 3,9% na comparação com o período de abril a junho, o que indica mais um período de desaceleração econômica.

O último IC-PMN também apontou queda na confiança de todos os setores da economia. No comércio, a confiança do segundo para o terceiro trimestre recuou de 65,5 pontos para 62,6 pontos no período; a da indústria caiu de 67,1 pontos para 65 pontos; e a de serviços foi de 64,8 pontos para 62,4 pontos.

"O modelo de expansão com base no incentivo ao consumo ajudou bastante o setor de serviços e comércio por um período, mas nos últimos levantamentos a confiança de todos os setores está em queda", diz José Luiz Rossi Júnior, um dos autores do estudo e pesquisador do Centro de Pesquisa em Estratégia do Insper. O estudo teve ainda a coautoria do também pesquisador da instituição Danny Pimentel.

Ao longo dos últimos anos, o histórico do indicador mostra uma queda em 2009 entre o primeiro e segundo trimestre por causa da crise externa. Em seguida, houve uma recuperação do indicador, apontando a melhora da economia. Recentemente, a partir do segundo trimestre de 2013, o índice passou a cair constantemente, corroborando a desaceleração constante da economia brasileira.

Na avaliação dos pesquisadores do Insper, obter o termômetro da economia com base na confiança dos pequenos e médios empresários é relevante porque eles representam 67% dos postos de trabalho no Brasil e estão na "ponta da atividade econômica" do País. "Os pequenos e médios empresário têm uma rapidez de resposta maior e sentem mais a queda da renda real do que as grandes empresas", afirma Rossi.

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