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Empreendedores ganham espaço com comércio justo

Movimento, que começou com o café, chega a áreas como moda e turismo

Marianna Aragão, O Estadao de S.Paulo

04 de fevereiro de 2008 | 00h00

Os primeiros produtos com selo de comércio justo começaram a chegar no Brasil há dois anos. O movimento, que se preocupa com a responsabilidade social e comercial do negócio, incluiu produtores brasileiros de café num mercado que movimenta perto de US$ 1 bilhão no mundo. Agora, empreendedores de outras áreas também estão descobrindo os conceitos de comércio justo - e lucrando com isso. A estilista Kátia Ferreira, de Brasília, faz parte desse universo. Desde pequena, sempre gostou de desenhar e costurar. Mas só há quatro anos, quando largou o emprego como funcionária pública, criou sua própria grife de roupas, a Apoena, do jeito que queria. A empreendedora de 36 anos colocou artesãos e costureiras de cidades-satélites da capital federal para tocar as máquinas. Também optou por usar tecidos orgânicos na confecção dos produtos.A produção começou modesta - eram apenas quatro mulheres, que foram escolhidas por estarem desempregadas ou em situação de subemprego. Em três meses, os pedidos foram aumentando e a equipe chegou a 165 pessoas. As peças, que pelos princípios do comércio justo podem custar até quatro vezes mais que as comuns, começaram a preencher as araras em lojas como a Magrella, de Brasília, espécie de Daslu brasiliense. Hoje, são 28 pontos-de-venda no País e 600 mulheres trabalhando. "Minha moda une dois extremos: a classe A, que consome, e a classe que produz, mas nunca vai consumir o que produz", diz Kátia.Após participar de feiras de negócios e fazer sua estréia nas passarelas em janeiro deste ano, no Fashion Rio, a Apoena já exporta 25% das 1,2 mil peças que produz. "O comércio justo já é uma preocupação real na Europa", diz a empresária, que, além dos países europeus, já conquistou clientes no Japão, Kuwait e Arábia Saudita. A coordenadora do Projeto de Comércio Justo e Solidário do Sebrae, Louise Alves Machado, explica que 80% dos produtos "solidários" fabricados no Brasil vão para o exterior. Os 20% que ficam no mercado interno são consumidos pela população dos grandes centros, principalmente no Sul e Sudeste. "Mas estimamos que, nos próximos três anos, essa proporção fique em 50% para cada mercado", diz Louise.Pesquisa recente da consultoria Schneider & Associados mapeou cerca de 14 mil empreendimentos solidários no País. E esse número pode crescer ainda mais. Por meio de uma instrução normativa, a Secretaria Nacional de Economia Solidária, do Ministério do Trabalho e Emprego, pretende certificar as empresas nacionais que praticam o comércio justo. A Pistache e Banana, marca de roupas infantis de Santa Bárbara d?Oeste (SP), também segue os preceitos do comércio justo. O algodão, principal matéria-prima das peças, é plantado por agricultores de uma cooperativa em Goioerê (PR). Eles recebem pela produção 50% a mais que o valor de mercado. Há poucos meses, a empresa também passou a utilizar fibras de garrafas PET nas roupas. Com apenas um ano de vida, a Pistache já vende para França, Inglaterra e África do Sul. PREPARAÇÃOAlém da moda, produtores de mel, castanhas, suco de laranja, frutas e até empresas de turismo começam a descobrir o comércio justo. Por meio de um projeto do Sebrae, esses empresários estão sendo preparados para seguir os princípios do movimento. Além de apresentar o modelo aos empreendedores, a entidade também faz o trabalho inverso: apresenta os produtos para grandes empresas interessadas, facilitando a negociação.

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