Empreendedores substituem o IPTU, das lojas, pelo IPVA

Cresce o número de empresários que trocaram as lojas físicas por negócios sobre quatro rodas

Renato Jakitas, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2013 | 02h10

A paulistana Karla Alencar pode dizer sem medo de errar que está, literalmente, na direção da empresa. Entre segunda e sábado, ela dirige uma van Sprinter equipada, para cima e para baixo, atrás dos 14 clientes que atende diariamente na grande São Paulo.

Karla é dona de um pet shop móvel especializado em tratamento estético para cães e gatos e endossa um movimento que ganha força no País, sobretudo nas grandes cidades, notabilizado por empresas sobre rodas. Sem compromissos com aluguel, pagamento de luvas e reforma do ponto, esses empreendedores trocam o IPTU pelo IPVA, a conta de luz pelas despesas com combustível e ganham em mobilidade, agregando clientela com o atributo da conveniência.

"O procedimento é feito na frente da casa do cliente e eu sinto que otimizo o tempo dos donos e minimizo o stress do animal", afirma Karla. "Tive essa ideia quando fui viajar para os Estados Unidos e vi que, lá, existe tecnologia para transformar o carro no que você quiser. Voltei para casa e montei a empresa", diz a dona da Aracê Embelezamento Animal - o empreendimento cobra até R$ 110 por um banho e coloca no caixa R$ 12 mil por mês.

Karla tem consciência de que, mesmo sem copiar a ideia de alguém, não é a primeira e a transformar a van em negócio. Na verdade, esse mercado está tão em evidência que já existem pequenas empresas que adaptam furgões e vans. Gislene Gonçalves Viana, por exemplo, faturou R$ 1,2 milhão em 2012 com o nicho. Ela é uma das sócias da Fag, lançada há oito anos para transformar veículos em ambulâncias e carros para transporte de passageiros. Mas a customização de veículos em restaurantes, lanchonetes, pet shops e até showroom de lojas de roupas a fez praticamente abandonar os clientes antigos. Hoje ela recebe de dez a quinze encomendas por mês. E as ambulâncias são raridades. "A cada dez pedidos, seis são para a área de alimentos. Esse é o principal nicho."

O mercado de comida de rua é o que mais atrai empresários motorizados. Sabendo desse mercado em potencial, os sócios Mario Chierighini Filho, Ricardo Cury e Plinio Bernardi investiram R$ 500 mil para lançar uma rede móvel de cafeteria gourmet. Batizada de Barisly, o empreendimento nasceu em Itu (SP) e pretende expandir por meio de franquias. "Compramos uma marca de café gourmet e vamos explorar os espaços próximos de empresas, estacionamento, portas de faculdade. É um produto para quem gosta de café", diz Cury. O empreendedor conta que contratou um artista plástico para desenvolver o baú de 2,10 metros de comprimento por 1,60 metros de altura.

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