Empreendedorismo e resistência à crise

Que a desaceleração econômica afeta as grandes empresas, não restam dúvidas, como se constata pela queda dos lucros de bancos e companhias com atuação global. Resta saber quais serão os efeitos da crise nas firmas de menor porte, que vêm dando sustentação ao emprego e ao ritmo da atividade.

O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2012 | 03h06

Em 2011, pesquisa do Sebrae, do Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade (IBPQ) e da FGV mostrou que havia 27 milhões de brasileiros trabalhando em seu próprio negócio ou envolvidos na criação de empresas. Cerca de 85% obtinham renda de até seis salários mínimos. O País ocupou o terceiro lugar entre 54 países analisados no levantamento Global Entrepreneurship Monitor (GEM), abaixo apenas da China e dos Estados Unidos.

Outros indicadores do Sebrae permitem constatar que a taxa de mortalidade dos pequenos empreendimentos formais está diminuindo: os últimos dados, de 2009, mostraram que 73,1% das companhias criadas em 2006 continuavam atuantes dois anos depois, porcentual que aproxima o Brasil de países desenvolvidos como a Itália e o Canadá. O levantamento foi feito com base nos dados da Secretaria da Receita Federal.

Anualmente são criados mais de 1,2 milhão de novos empreendimentos formais, segundo o Sebrae. Em parte, micro e pequenas empresas são criadas por trabalhadores que deixam o emprego e usam os recursos da indenização para constituir um negócio. O Sebrae desempenha um papel importante no estímulo ao empreendedorismo desenvolvendo cursos, feiras e consultoria em todo o País.

O fortalecimento dos pequenos negócios foi facilitado por medidas fiscais como a criação do Supersimples e do programa do microempreendedor individual, sujeitos a regimes fiscais favorecidos. O número de empresas que aderiram ao Supersimples chegou a 6,5 milhões e o de microempreendedores individuais, a 2,1 milhões. Segundo o Sebrae, as micro e pequenas empresas são responsáveis por mais da metade dos empregos com carteira assinada.

Mas os números positivos refletem o passado recente. Em geral, as pequenas empresas precisam das grandes - ou do Estado - para prestar serviços ou fornecer produtos.

Ou seja, o fortalecimento ou a mera sobrevivência dos negócios depende do crescimento da economia, estimado entre 1,5% e 2,5%, neste ano - ou ainda menos, segundo o último Boletim Focus, do BC, que apontou para a taxa de apenas 1,9%, neste ano.

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