Empreendedorismo ganha espaço de discussão

Edição brasileira da Semana Global de Empreendedorismo deve reunir 1,3 milhão de pessoas

Marianna Aragão, O Estadao de S.Paulo

18 de novembro de 2008 | 00h00

Enquanto empresários adiam planos e negócios por causa das incertezas que rondam a economia, cerca de 1,3 milhão de pessoas vão discutir esta semana como tirar suas idéias do papel. A Semana Global do Empreendedorismo, evento que tem o objetivo de despertar a iniciativa empreendedora, teve início ontem no Brasil e em outros 74 países. Nos próximos dias, serão realizados cerca de 1,5 mil eventos no País, entre palestras, cursos, competições e encontros entre estudantes, pequenos e grandes empresários. Para Paulo Veras, diretor-geral da Endeavor, ONG internacional de apoio ao empreendedorismo que está à frente do movimento no Brasil, não há hora melhor para se falar em atitude empreendedora. "Na crise, é preciso lidar com limitação de recursos, criar alternativas, fazer muito com pouco - atitudes que têm tudo a ver com empreendedorismo. A mensagem é perfeita para este momento." É a primeira vez que a Semana, criada na Inglaterra em 2004 pelo então ministro das Finanças Gordon Brown, ocorre no Brasil. Ainda assim, a Semana "brasileira"deve ser a maior do mundo em tamanho - no total, a Endeavor angariou 1.521 parceiros para o movimento.Além de entidades como Sebrae, universidades e associações, como a Fiesp, o empresariado também aderiu. A Natura, por exemplo, está promovendo um curso sobre o tema para 600 consultoras de vendas. Veras conta que a entidade pretende medir o impacto da discussão do tema no País nos próximos anos, monitorando indicadores como o Doing Business, do Banco Mundial, que avalia o ambiente de negócios de cada nação. A última pesquisa mostrou o Brasil na 125ª posição no ranking. "O primeiro passo é colocar o empreendedorismo na pauta do País. Depois, queremos ver os resultados."O consultor e ex-secretário da Receita Federal Everardo Maciel, que participou ontem de um painel dentro da programação da Semana, acredita que a burocracia ainda é a grande pedra no sapato do empreendedor brasileiro. "Fazer a inscrição de uma nova empresa hoje é uma verdadeira maratona." No campo fiscal, há a dificuldade de se obter certidões negativas de débito - essenciais para contratos com o setor público - e as constantes mudanças na legislação. "O contribuinte é surpreendido a cada dia com uma nova norma", diz o ex-secretário, que sugeriu medidas infraconstitucionais simples para mudar esse cenário.SANGUE NOVOA Endeavor acaba de selecionar quatro novos membros para o grupo de empresas que recebem apoio do instituto. O auxílio inclui acesso a aconselhamento jurídico e de gestão, com empresários como Emílio Odebrecht e Luiza Trajano (Magazine Luiza). Os empreendedores selecionados são das companhias Tecnoblu, Crivo, Dermage e Prátika. "Com o acesso à expertise desses empresários, vamos aperfeiçoar a governança corporativa", diz Cristiano Buerger, sócio da fabricante de etiquetas e embalagens Tecnoblu, de Blumenau (SC), que vem crescendo a um ritmo de 30% ao ano nos últimos anos.

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