Empregados da Embraer ameaçam parar amanhã

Metalúrgicos reivindicam reajuste de 17,45% nos salários e podem paralisar as atividades da empresa pela primeira vez em 15 anos

JOÃO CARLOS DE FARIA , ESPECIAL PARA O ESTADO / TAUBATÉ, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2011 | 03h06

Os trabalhadores da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer), com sede em São José dos Campos, a 90 km da capital paulista, ameaçam entrar em greve por tempo indeterminado, a partir de amanhã.

O Sindicato dos Metalúrgicos local protocolou ontem o aviso de greve. A decisão foi tomada após assembleias e faz parte da campanha salarial. "Tudo leva a crer que depois de 15 anos de truculência da empresa, dessa vez nós teremos greve. Os trabalhadores estão animados e bem mobilizados para isso", disse o vice-presidente do sindicato, Herbet Claros da Silva. Segundo ele, a empresa não está admitindo negociar diretamente com o sindicato. "A aprovação do estado de greve é uma resposta dos metalúrgicos à postura intransigente da Embraer", afirmou.

Além de reajuste salarial de 17,45%, os trabalhadores pleiteiam a antecipação da data-base de novembro para setembro e redução da jornada de trabalho para 40horas semanais. Essas reivindicações haviam sido aprovadas em agosto, mas a Embraer não respondeu . Na semana passada, a empresa reafirmou sua disposição de negociar apenas via Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Os metalúrgicos decidiram aguardar 48 horas para que a Embraer se pronuncie e reconsidere sua posição. Também reclamam da prática da empresa de desviar os ônibus nos dias das assembleias, para esvaziá-las.

Outras empresas. Os metalúrgicos pararam na Sadefem e Schrader, em Jacareí. A Schrader propôs 10,3% de reajuste, mesmo índice acertado com a TI Automotive, mas sem abono. A proposta foi rejeitada.

Na Eaton, a proposta do setor de autopeças, de reajuste de 9,55% também foi rejeitada. Os trabalhadores da Hubner, em Caçapava (SP), pararam por 40 minutos, reivindicando reajuste de 10,5% mais abono de R$ 2 mil, ou 11%, além do direito à eleição de delegados sindicais. Na Graúna, do setor aeronáutico, a reivindicação é a antecipação da data-base para setembro e informações sobre a venda da empresa.

Ontem, o Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté informou que acertou um reajuste de 10% com os setores de máquinas e eletroeletrônicos e de autopeças, conforme o que havia sido aprovado pela categoria, em assembleia de 11 de setembro.

O índice é o mesmo conquistado pelos sindicatos ligados à CUT com as montadoras, e é composto pelos 7,4% de INPC de 1.º de setembro, data-base da categoria, mais 2,42% de aumento real. "Isso mostra que as demais bancadas patronais também têm condições de chegar a uma proposta que contemple os trabalhadores com o aumento real de salário", diz o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté, Isaac do Carmo.

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