Empregados da Usiminas iniciam greve em Cubatão

Metalúrgicos pedem cancelamento das demissões e trabalhadores da construção civil reivindicam aumento

Rejane Lima, O Estadao de S.Paulo

28 de maio de 2009 | 00h00

Cerca de 4 mil trabalhadores participaram de manifestações dos sindicatos dos metalúrgicos e da construção civil ontem de manhã na usina de Cubatão da Usiminas (antiga Cosipa). As reivindicações são distintas: metalúrgicos pedem o cancelamento das demissões e os operários da construção civil contratados pelas empreiteiras que prestam serviço à empresa querem aumento salarial.Tanto o Sindicato dos Metalúrgicos da Baixada Santista quanto o Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil, Montagem e Manutenção Industrial (Sintracomos) decidiram que a greve será por tempo indeterminado. A paralisação recebeu ainda a adesão dos funcionários da limpeza e alimentação da usina.De acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Alvemi Cardoso Alves, 60% dos trabalhadores aderiram à paralisação. "O pessoal do turno entrou pela manhã, na hora da chuva, mas o pessoal do ADM, que é a maioria, voltou pra casa." A prefeitura de Cubatão tenta interferir nas demissões da usina de Cubatão - de 800 trabalhadores, segundo o sindicato. A prefeita Márcia Rosa (PT) enviou um ofício à empresa pedindo a suspensão das demissões. Uma reunião entre prefeitura, diretoria da Usiminas e lideranças políticas da região está sendo agendada para amanhã.Na terça-feira à tarde, as empreiteiras que operam na Usiminas ofereceram 5% de reajuste aos trabalhadores, proposta recusada em assembleia, que ontem optou por manter a paralisação. "Nós pedimos 10% e as 25 empreiteiras do polo tinham oferecido 3,8% na sexta-feira. Algumas ofereceram 8% e nós aceitamos, mas as da Usiminas só ofereceram 5%, o que é muito pouco para tanta intransigência patronal", disse o presidente do Sintracomos, Geraldino Cruz Nascimento.Em nota, a Usiminas informou que as operações da usina não foram interrompidas pela manifestação. A empresa também disse que cumpriu integralmente o acordo com o sindicato na Justiça do Trabalho e estabeleceu o Programa de Desligamento Voluntário (PDV), que teve número de adesões inferior ao necessário. A Usiminas reafirma que manteve todo o tempo o diálogo, e, para atenuar o impacto social, está concedendo vantagens financeiras aos trabalhadores dispensados mesmo após o PDV, além das verbas legais.

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