Emprego cai, mesmo com otimismo maior

Trajetória de queda no mercado de trabalho deve continuar e índice de desocupação pode alcançar os 12,8% no primeiro trimestre de 2017

Tiago Cabral Barreira, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2016 | 22h01

A crise econômica ainda vem exercendo impactos negativos sobre o emprego e renda. Segundo os dados da Pnad Contínua de julho, a taxa de desemprego aumentou em 0,3 ponto porcentual, indo a 11,6%, a 7.ª alta seguida do ano. Apesar da forte piora, espera-se que esta sequência de alta seja interrompida em outubro, com o auge do período eleitoral, vindo a exercer um efeito importante sobre as atividades temporárias ligadas a serviços.

Entre os setores de atividade, o comércio liderou em demissões, dada a contínua queda dos rendimentos familiares e alta da inadimplência, com redução de 79 mil na população ocupada (PO) no período de junho a julho. A indústria de transformação ainda apresenta resultados negativos em contratações, apesar de sinais recentes de recuperação da confiança. O setor, que foi o que mais demitiu nos últimos 12 meses, registrou perdas de 30 mil na PO de junho a julho. A única categoria com destaque positivo foi a de empregadores, com alta de 115 mil na PO mesmo período.

Os resultados do mercado de trabalho vão na tendência oposta da melhoria da confiança de empresas e consumidores ocorrida desde maio. Empresas ainda recorrem ao enxugamento da folha de pagamento e se mostram receosas em contratar, no aguardo de sinais mais significativos de retomada na atividade. Apesar de uma melhora temporária do emprego no período de outubro, espera-se que ao final das eleições o desemprego continue seguindo em trajetória de piora, podendo alcançar até 12,8% no 1.º trimestre de 2017.

*Pesquisador do Ibre/FGV

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