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Emprego continuará a crescer em ritmo lento até dezembro

De mão dada ao baixo crescimento econômico, o mercado de trabalho no Brasil tem criado - quando cria - ocupações em ritmo lento, insuficientes para absorver a expansão da População Economicamente Ativa (PEA), e a tendência é que esse quadro seja mantido para o restante do ano. A perspectiva foi desenhada com traços fortes e seguros por um conjunto de especialistas que acompanham o tema e que foram ouvidos, pela Agência Estado.Especialistas do Dieese, do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) e do próprio Ministério do Trabalho são unânimes em afirmar que, confirmando um comportamento sazonal histórico, o segundo semestre deste ano deve criar ocupações, mas talvez ainda insuficientes para retrair os índices desemprego. Se houver queda da taxa, será sem grandes sobressaltos, prevêem."Ainda aposto que a taxa de desemprego da PME de dezembro ficará em um dígito", afirma o economista para a área de mercado de trabalho do Ipea, Marcelo de Ávila. "Mas é muito difícil estimar um número", acrescenta, ao lembrar que a taxa média apurada pelo IBGE nas seis regiões metropolitanas pesquisadas ficou em 9,8%. Em julho, a PME identificava um índice de desocupação de 10,7% da PEA nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE.No epicentro do problema da geração de emprego, observam os especialistas, está o baixo crescimento econômico do País, de 2,2% no primeiro semestre deste ano em relação a igual período de 2005. Em 12 meses encerrados em junho, a alta do Produto Interno Bruto (PIB) foi de 1,7% e as projeções dos agentes econômicos são de que, no acumulado do ano, o índice ficará abaixo de 3,5%."Não haver aumento do desemprego até o momento já é algo positivo", comenta aliviado o diretor-técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio."Enquanto o Brasil seguir crescendo na casa de 3%, manteremos a mesma faixa de desemprego, da ordem de 10% pela PME e, na região metropolitana de São Paulo, de 16% a 17% pela PED", afirma, ao explicar que a expansão do PIB nessa proporção é suficiente apenas para absorver o ingresso anual de mão-de-obra no mercado de trabalho.Sobram amarras para impedir o deslanche do crescimento do Brasil. Agentes econômicos, tanto produtivos quanto financeiros, entendem que o problema capital nos últimos dois anos, essencialmente, está nas altas taxas de juros cobradas no País e numa sobrevalorização do real comparativamente às outras moedas, tornando assim as importações interessantes e comprimindo a competitividade das exportações da indústria, principal segmento empregador.O emprego industrial no País voltou a crescer em julho, segundo o IBGE, após nove meses consecutivos de queda. Subiu 0,3% ante junho e o mesmo índice em comparação a julho de 2005. O dado não resultou, entretanto, em comemoração do Iedi. Pelo contrário, pois o Instituto divulgou um estudo no qual destaca que a "evolução do pessoal ocupado em termos setoriais mostra que o crescimento dessa variável está concentrado em poucos setores" e a "maioria não é intensivo em mão-de-obra".No Estado de São Paulo, a Fiesp registrou queda de 0,26% no emprego industrial em agosto ante julho, o pior desempenho desde dezembro de 2005. De quebra, o diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, Paulo Francini, revisou a estimativa de geração de emprego na indústria paulista para este ano de 2% para 1%.É no câmbio sobrevalorizado e nos juros elevados que Francini centra o fogo de suas críticas, ao observar, por exemplo, que após mais de 12 cortes consecutivos da Selic pelo Banco Central, os juros reais (juronominal descontada a projeção de inflação) praticamente se mantiveram inalterados. "Entre ganhar com juros de 11% a 12% no Brasil e 6% nos Estados Unidos, o que o investidor prefere? O Brasil, claro", opina o diretor da Fiesp.Além do ingresso de dólares pela via do capital financeiro, Francine também admite que os efeitos da balança comercial ainda positiva do País também ajudam a valorizar o real ante outras moedas. Mas ele lembra que há "especulação cambial" com operações da chamada "non deliverable forward" (NDF), uma simples operação de câmbio a termo em que as partes concordam com um montante principal, uma data e uma taxa de câmbio futuras."Os investidores apreciam a taxa futura de câmbio na Bolsa de Mercadorias & Futuros e, assim, determinam a apreciação também no presente", explica Francini. "Não sabemos exatamente qual é o peso dessas operações financeiras e o que é efeito do superávit comercial nasupervalorização de moeda que enfrentamos", comenta.O resultado disso, pondera o diretor da Fiesp, é a retração das exportações e a ampliação das importações das cadeias produtivas que utilizam mais intensamente mão-de-obra. "Isso ocorre notadamente em setores comotêxtil, vestuário, calçados, componentes metálicos, fabricação de bens de capital, todos de uso intensivo de mão-de-obra", analisa Francini.Por outro lado, ressalta ele, os segmentos industriais que mais se beneficiam do posicionamento do câmbio são aqueles que menos empregam. "Os quatro setores da indústria paulista de transformação que mais crescem são o de informática e máquinas de escritório, refino de petróleo e álcool, extrativa, e máquinas e aparelhos elétricos. Esse conjunto responde apenas por 6% dos empregos da indústria paulista", informa. Assim, a vantagem competitiva obtida em determinadas cadeias e que resulta em crescimento setorial, não se manifesta também em geração de empregos.Embora reconheçam que ações estruturais sejam necessárias para facilitar a geração de emprego, principalmente a atualização das leis trabalhista esindical, os especialistas ainda insistem que o crescimento da economia é a chave para criação de trabalho."O empresário é um bicho estranho, mas não é burro. Por que vai investir se não há perspectiva de mercado estável, se a indicação é de crescimento brando, se os juros são os maiores do mundo, e se a competitividade da moeda é prejudicada? Temos um ambiente hostil denegócios", opina Francini. "Parece claro que as projeções de crescimento não incentivam os empresários a investir. No ano passado, a projeção era de PIB de 3% e o realizado foi de 2,3%; para este ano, a previsão inicial de 4% dificilmente se confirmará; e, para 2007, há enorme incerteza se o PIB de 4,75% estimado pelo governo será efetivado. Assim, nenhumempresário se sente estimulado a investir e criar ocupações", diz Ganz Lúcio, do Dieese.

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