Emprego e renda mostram o alto custo social da crise

Um conjunto de indicadores desfavoráveis mostra com clareza a rápida deterioração do mercado de trabalho. O cadastro do Ministério do Trabalho (Caged), a pesquisa sobre emprego e salário na indústria (a Pimes, do IBGE) e os dados mensais da federação das indústrias (Fiesp) trazem números piores que os esperados e antecipam o agravamento da recessão, já prevista para este trimestre.

O Estado de S. Paulo

21 de junho de 2015 | 09h05

Segundo o Caged, 115,6 mil empregos com carteira assinada foram eliminados em maio, salvando-se apenas o setor agropecuário, que contratou 28,3 mil trabalhadores. O corte de vagas formais do conjunto dos setores analisados foi de 243,9 mil neste ano e de 452,8 mil nos últimos 12 meses. Em maio, a indústria de transformação liderou as demissões (60,9 mil pessoas), mas tanto neste ano quanto nos últimos 12 meses os piores resultados vieram da construção civil. Neste segmento, o emprego formal caiu 9,56% em 12 meses (312,4 mil pessoas).

Entre março e abril houve uma queda de 0,9% do emprego industrial, segundo a Pimes. O recuo foi de 5,4% em 12 meses e correspondeu ao 43.º resultado negativo consecutivo pelo mesmo critério.

O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) já projeta uma queda de 5% do emprego do setor neste ano, depois dos recuos de 3,2% em 2014, de 1,1% em 2013 e de 1,4% em 2012. Diminuiu, em maio, o número de empregos nos 18 segmentos analisados, destacando-se meios de transporte, produtos de metal e máquinas e aparelhos eletrônicos e de comunicação.

No Estado de São Paulo, segundo a Fiesp, foram cortadas 5 mil vagas em abril, 18,5 mil no ano e 177 mil em 12 meses. A estimativa é de um corte de 250 mil postos de trabalho em 2015.

A crise do mercado de mão de obra tem impacto negativo também sobre os que mantiveram o emprego: o valor da folha de pagamento da indústria caiu 0,9% entre março e abril, 0,5% na média móvel trimestral (fevereiro a abril de 2015, em relação a novembro de 2014 a março de 2015) e 5,3% entre abril de 2014 e abril de 2015. Boa parte da conta da recessão recai, portanto, sobre os trabalhadores, que sofrem com o desemprego e a queda das horas pagas.

O panorama do mercado de trabalho é claro. Este deixou de se beneficiar com a demanda de mão de obra superior à oferta e passa a enfrentar uma fase de agruras. Para que a economia e a demanda de trabalhadores se recomponham, o melhor seria um ajuste fiscal mais rápido. As centrais sindicais poderiam ajudar.

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