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E-Investidor: como a queda do PIB afeta o mercado financeiro

Emprego ficará estagnado se PIB for zero em 2009, diz Dieese

Será necessária criação de 2,5 mi de postos por ano para manter estável a taxa de desemprego do IBGE

Ricardo Leopoldo, da Agência Estado,

16 de março de 2009 | 18h31

O diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, afirmou que caso o Brasil apresente um crescimento nulo em 2009, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) deve ficar estagnado em 2009 na comparação com o desempenho de 2008. Segundo ele, se tal resultado for confirmado, isso será um fato muito ruim para a população, pois estima que é necessário a criação de 2,5 milhões de postos de trabalho por ano para manter estável a taxa de desemprego medida pelo IBGE. Daquele total, 1,3 milhão de vagas teriam carteira assinada e outro 1,2 milhão de ocupações seriam informais. A Pesquisa Mensal de Emprego apresentou uma elevação da marca de 6,8% em dezembro para 8,2% em janeiro.

 

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Embora reconheça que aumentou o pessimismo de muitos analistas sobre as perspectivas da geração de empregos no País com a contração de 3,6% do PIB no quarto trimestre de 2008 na margem, Lúcio ressaltou que acredita numa expansão da economia ao redor de 1,5% neste ano. "A diferença entre o Brasil não crescer nada e registrar um incremento do Produto Interno Bruto de 1,5% em 2009 vai ser determinada pela aceleração dos investimentos em infraestrutura, do retorno imediato do crédito às empresas e consumidores", disse. "Também é fundamental e manutenção das ações oficiais favoráveis à renda da população, como o Bolsa-Família e aumento do salário mínimo", comentou.

 

No caso da economia avançar 1,5% neste ano como prevê o diretor-técnico do Dieese, ele estima que o Caged registraria a criação de 500 mil postos de janeiro a dezembro. Esta marca seria equivalente a 35,7% do 1,4 milhão de vagas formais geradas no ano passado, de acordo com o Ministério do Trabalho.

 

Na sua opinião, se o PIB ficar estável neste ano em relação ao avanço de 5,1% apurado em 2008, isso deverá provocar uma alta expressiva do nível de desocupação na região da Grande São Paulo.

 

Segundo Clemente Ganz Lúcio, a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) medida pela Fundação Seade/Dieese poderá atingir um pico ao redor de 17% entre o mês passado e maio, enquanto a média do ano ficaria perto de 15%. A marca mais elevada da PED em 2008 foi 14,3%, registrada em março, e a média do ano ficou em 13,4%. "Se o Produto Interno Bruto ficar estável neste ano, a taxa de desemprego na Grande São Paulo pode atingir a marca de 16%, com um patamar médio entre 13,5% e 14%", afirmou.

 

Para o diretor-técnico do Dieese, o governo precisa acelerar as obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), pois provocam um efeito multiplicador dos investimentos no setor privado. Segundo o economista, também é fundamental estimular o nível de atividade o programa de criação de um milhão de casas até 2010, que o Poder Executivo deve anunciar em breve.

 

Clemente Ganz Lúcio, contudo, destacou ser fundamental que o governo atue para que os bancos comerciais normalizem a concessão de crédito no País. Segundo ele, o Banco Central foi eficiente no final do ano passado para tomar medidas a fim de evitar que o sistema financeiro nacional entrasse em pânico por falta de liquidez no mercado. "Agora, o BC precisa adotar mais uma onda de iniciativas para levar de vez os empréstimos às empresas e aos consumidores", comentou. Entre estas ações, ele destacou a liberação direcionada de depósitos compulsórios aos bancos, para que os recursos cheguem aos clientes e não sejam, aplicados em ativos mobiliários, como títulos públicos federais. Até fevereiro, a autoridade monetária repassou R$ 99,8 bilhões às instituições financeiras. Segundo Lúcio, uma parte pequena deste montante foi dirigido aos clientes, o que é um dos principais fatores que levaram a economia a registrar a retração de 3,6% no quarto trimestre de 2008 ante os três meses anteriores.

 

O diretor-técnico do Dieese também defende que os bancos oficiais, como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, adotem uma estratégia agressiva para reduzir os spreads cobrados em suas operações financeiras. O objetivo de tal ação é elevar a concorrência no setor, que pouco reduziu os juros desde o final de janeiro, apesar de o BC ter diminuído a Selic em 2,5 pontos porcentuais no período. "O cadastro positivo dos clientes é outro mecanismo relevante que deve ajudar a reduzir os juros dos financiamentos. O governo tem muitas opções para que o crédito volte ao normal e possa recuperar a demanda agregada, a produção das fábricas e elevar os investimentos", comentou.

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